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Povo Novo ou Povo Perdido

Não está sendo fácil, pois a situação é de mudanças em uma constância raramente prevista. Tudo parece mudar e, considerando o pequeno período que nos é permitido compreender, realmente as mudanças ocorrem. Ontem recebi uma foto na qual a frase de famoso escrito apaixonado pelo Brasil, tão apaixonado e crente em seu futuro, que resolveu matar-se na bela paisagem do Estado do Rio de Janeiro. Na foto que me foi enviada a frase parece mais real: Brasil pais sem futuro. Na mesma semana escutei famoso cineasta brasileiro, em seu comentário diário em uma emissora de rádio, citar frase de renomado economista a respeito do Brasil: O Brasil jamais perde a oportunidade de perder uma oportunidade. Lembra-me frase de um político baiano que, ao ser perguntado a razão de mudar tanto de partido, apenas responde: eu não mudo, meus posicionamentos são os mesmos, os partidos é que estão mudando, ora na oposição ora no governo. Mas eu não mudo, estou sempre com o governo.

Neste mutável universo que é o Brasil e sua política, tudo parece acomodar-se nas mais variadas formas: o caráter Macunaíma cada vez mais fica mais Malandro, na casa ou na rua. E não importa se é uma Casa Grande ou Senzala, um Cortiço, um Sobrado ou Mocambo; as aparentes mudanças garantem a alguns que nada mudará e, por isso, a sociedade acostumou-se a pintar anualmente as paredes das casas, mudar a posição dos móveis e garantir que estamos sempre em um país novo, embora envelhecido, governado por velhos que mantém seus privilégios e jovens que agarram-se a ensinamentos seculares, para criar o novo mundo. Enquanto parte da humanidade está preocupada sobre se haverá cursos universitários suficientes e atentos às combinações possíveis no mundo quântico e suas veredas recentemente descobertas, o malandro procura salvar comunidades para fiquem permanentemente em seu estágio de testemunhas de um tempo passado.

O que Darcy Ribeiro deslindou sobre o Povo Novo, mas que não fez uma Revolução Tecnológica, é que ele é obrigado a realizar constante Atualização Histórica para acompanhar o que a criatividade que o conhecimento acumulado é capaz de produzir; entretanto, resolvemos apenas investir nessas reciclagens, ou seja, procuramos ainda utilizar o que já foi descartado. Desde 1949 que há campanhas para acabar com o analfabetismo no Brasil, temos especialistas em Alfabetização de Adultos, que sempre terão emprego garantido, porque as escolas não alfabetizam corretamente as crianças. Vamos nos tornando uma sociedade de reciclados, em reciclagem permanente. A disciplina do comportamento passou a ser encarada como algo fascista, embora os malandros ricos –alguns pensam que são- fiquem sempre deslumbrados com as sociedades organizadas e disciplinadas que encontram sempre que saem do Brasil, com ruas limpas e seguras.

Neste início do século XXI, a indisciplina de Macunaíma parece estar vencendo, e os brasileiros não estão perdendo a oportunidade de perder mais uma oportunidade.

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