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As dores do Dia das Mães

Nos caminhos das redes sociais sempre encontramos novidades que, no mundo já não o são. Assim, descobri que a segunda feira que se segue ao Dia das Mães, tem sido cultivado como o Dia da Família, em países dos norte da América, especialmente, e o Canadá, em uma tentativa de superar os impasses causados por novas formas de organização familiar, algumas das quais prescinde da presença da mulher, nos casos das famílias homo afetivas formadas por pessoas do sexo masculino; pela ausência da figura do pai, quando a família é formada apenas por pessoas do sexo feminino; ainda quando as crianças e jovens pertencem a famílias que se formaram após o divórcio, e então ora não se vive com a mãe biológica, etc. Esse mesmo fenômeno ocorre com o dia dos Pais, e sabemos que o que foi dito acima sobre o dia das mães aplica-se, também ao dia dos pais, que algumas escolas já estão a chamar de Dia do Amigo.
Estamos em um momento em que parece estar ocorrendo um novo processo civilizador, para lembrar Norbert Elias, a criação coletiva de novos costumes, tradições em uma nova sociedade cujas relações são mais líquidas, como pensava Baumann, que as que foram estabelecidas no período moderno da sociedade ou mundo europeu. Nós estamos assistindo, talvez, o nascimento de uma nova Europa, uma nova civilização europeia (?). Aliás, devemos lembrar que Zeus, arrebatado de paixão, fez-se um touro para seduzir uma princesa fenícia, levando-a para a Ilha de Creta, tendo Homero chamado essa rainha de Europa. Desde então essa península que liga à Ásia e África tem tomado formas diversas, com seus povos criando e recriando novos mundos e enfrentando outros tantos.

Então fui procurar de onde vem essa ideia de consagrar um dia para as mães, elogiá-las pelo seu labor, carinho, responsabilidade nos processos de transmissão das cargas genética e cultural.

Lá entre os gregos, o início da primavera era o momento de homenagear Rhea, que também era conhecida como Cibele, a mãe das deusas e deuses. Era uma festividade para louvar, adorar a deusa mãe. Herdamos por caminhos vários essa festa no início de Maio.

Se hoje essa festa é muito “doce”, suas origens são menos almoço familiar. Em 9 de agosto de 1922, Bertha Lutz criou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, herdeira da Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que funcionava desde 1919. Aqui convém lembrar que 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, é também o ano de outros movimentos como a explosão do Tenentismo, a criação do Partido Comunista, da Semana de Arte Moderna. Pois bem, o crescimento da Liga de Emancipação Intelectual da Mulher, com filiais nos estados dos estados é que fez surgir a Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em 1926, Bertha Lutz representa as mulheres brasileiras na Primeira Conferência Pan-Americana de Mulheres ocorrida em Baltimore, USA. É dos Estados Unidos da América do Norte que vem essa nossa tradição.

Naquele país o estabelecimento do Dia das Mães começou a ser gerado durante a Guerra Civil que expôs a sua divisão no relacionamento entre seus cidadãos. Em 1852, Anne Maria Reaves Jarvis , preocupada com a mortalidade infantil nas famílias dos trabalhadores, criou o Mothers Days Works Club; em 1865, sua preocupação era com a condição física dos feridos na guerra e, então criou o Mothers Friendship Day. Em 1870, proclamando o desejo de paz, Júlia Ward Howe, publicou o manifesto Mothers Day Proclamation. Entretanto foi Anna Jarwis, filha de de Anne Maria que, para lembrar sua mães que morrera em 1905, iniciou a 12 de maio de 1907, a campanha para que fosse oficializado um dia para homenagear as mães. Em maio de 1914, o Congresso Americano consagrou o segundo domingo de maio como do dia das mães. Assim, podemos verificar que o Dia das Mães nasce do sofrimento das mães cujos filhos seguem para a guerra ou que sofrem e morrem de fome. E são as mulheres que se unem para lembrar a dor que é a experiência em observar o sofrimento ou a morte dos seus filhos. Quando Anne Jarwis percebeu que a celebração do dia das mães foi tomada pelo comércio e perdeu, entre pacotes de celofane, o sentido primeiro que ela e sua mãe tiveram, ela afastou-se e iniciou a batalha para por fim ao feriado que ela havia gerado. Essa batalha ela perdeu.

Foi para atender a solicitação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino que Getúlio Vargas, em, 1932, tornou o segundo domingo do mês de maio, o dia dedicado às mães, aqui no Brasil.

Saudades de minha mãe que subia as ladeiras de Nova Descoberta para cuidar das mães que já não podiam ir até à Igreja.

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