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Inimigo do povo ou amigo do poder? eis a questão.

Em uma conversa ocorrida em sala do Arquivo Público de Olinda veio o nome de Henrick Ibsen. Veio a propósito de companhias, de conversação, de companhias. Vivia em uma ilha e respondendo se não se aborrecia por estar só, ele teria dito “mas eu não estou só, estou comigo e gosto de minha companhia”. Na mesma semana o ministro Edson Fachim viu-se derrotado em sessão da segunda turma do STF. Colocaram em liberdade quem pôs em risco a liberdade do país, encontrou-se uma maneira de dizer que não era importante nem necessário manter na prisão esses homens que cometeram crime contra a sociedade. Lembrou, o ministro Edson Fachin uma obra de Ibsen, O Inimigo do Povo. Viveu a solidão na sala de trabalho, viu-se feliz apenas com a sua companhia, e a Ibsen.

O papa Francisco escreve que “A nossa esperança está em Jesus Cristo” pretende que se faça uma grave mudança na Igreja: que seja revisto o papel do laicato, que a Igreja seja menos clerical, o seja, deixe de ser clerical, ou seja, governada pelos clérigos. Vai ser difícil fazer surgir essa “Igreja que sai” do apego ao poder. Uma vez estava no Acre, lecionando em curso de teologia, e escutei de um clérigo muito importante prócer da Teologia da Libertação, diretor daquele instituto, perguntar: “quando será que teremos um leigo que mereça a Igreja, como foi o Dr. Alceu de Amoroso Lima?” Escutei a pergunta e respondi, como leigo que sou: Talvez a pergunta seja: quando a Igreja virá a merecer os seus leigos? Foi a última vez que estive no Acre, convidado para ensinar naquele instituto. Outro dia comprei as memórias de um sacerdote que, durante anos foi o vigário para os leigos na arquidiocese de Olinda e Recife, nela ele dedica vários parágrafos à saga de um militante comunista que usava a Igreja Católica como aparelho para a realização de ações de seu partido e, não lavrou uma linha em relação aos leigos católicos que foram presos e torturados durante a ditadura. O Papa Francisco sabe que os clérigos que estão à frente dos organismos da Igreja, desenvolvem projetos pessoais ao lado do projeto de Jesus. Como sua preparação foi realizada os afastando do mundo, criaram um mundo à parte e, como fazem parte do poder, só relacionam-se, igualmente, com quem tem poder neste mundo do qual foram “afastados”. Ficam confusos quando se aproximam do mundo e, na confusão que fazem, vivem com mais interesse os intentos do mundo.

O Papa Francisco não precisava, ao informar que não poderia vir ao Brasil neste ano, fazer críticas diretas ao governo do presidente atual, dando a entender que não vinha ao Brasil pela situação em vive parte da população brasileira. Fosse isso verdade não teria vindo quando governava o Brasil a inocente do petrolão e o governador Cabral. Por ter cruzado essa linha, o Papa abriu espaço para que a CNBB tornasse claro o seu desejo de dirigir as esquerdas, ou de servi-las, incentivando os católicos a participarem de uma greve cujo interesse, não explicito, era apoiar um ex-presidente enrolado com várias acusações em andamento no judiciário. Interessante que Leonardo Boff, ex-franciscano, no mesmo período colocou em sua página uma matéria não escrita por ele, com críticas ao governo de Luiz Inácio. Uma forma diplomática de dizer sem dizer o que pensa. Com s pressões sofridas por seu partido, rapidamente o ex-frade tentou se recompor com seus amigos.

Em 2017, a Igreja Católica agiu como o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Sebastião Leme, que pôs o peso da Igreja na defesa do Serviço Militar Obrigatório, na formação das Linhas de tiro e no incentivo da participação do Brasil na guerra que se iniciara em 1914. (A Primeira Guerra na Tribuna Religiosa. Curitiba, Editora Prismas) Dom Leme queria um novo acordo com o Estado, alcançado com a Revolução de 1930. E agora, o que quer incentivando a deposição de um presidente enquanto ceva a candidatura de outro?

Os meses seguintes prometem. Veremos quem dará o que a César, e então saberemos quem é deste mundo, ou que sabe que está aqui de passagem.

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