Feliz Ano da Misericórdia

Terceiro dia do ano de 2016, Ano da Misericórdia, estabelecido pelo Papa Francisco para os católicos, tendo em mente que a Misericórdia é fruto do encontro do amor com a justiça. Quando isso ocorre não há espaço para a exclusão de nenhum membro da comunidade humana e também da comunidade ecológica de todos os seres que formam o universo. O Ano Santo da Misericórdia é um grande desafio espiritual para os católicos, mas está aberto também para todos os homens de Boa Vontade. Assim, uma das melhores maneiras de começar o ano é reler, ou ler, a carta Laudato Si – Louvado seja o Meu Senhor – que nos põe diante das responsabilidades humanas para com o planeta e todos os seus habitantes.

Uma das maneiras que temos de viver a misericórdia é modificarmos nossos hábitos de consumo que, podia ser mais bem dito, como modo de estragar e destruir o que está ao redor. Somos seduzidos, nos deixamos seduzir com o consumismo, achamos que ‘não posso viver’ sem isso ou sem aquilo e, por essa razão temos uma grande quantidade de objetos que quase não usamos. Destruímos a natureza que nos cerca, que nos alimenta. Guardando o que não nos é necessário auxiliamos o processo de exclusão social, pois o que nos sobra falta em algum lugar. Ostentando e vivendo de maneira supérflua hostilizamos os que vivem apenas com o necessário. Assumindo posturas dúbias e ou autoritárias com aqueles que, de alguma maneira estão conosco, nos servindo ou nos auxiliando em alguma tarefa, continuaremos a construir o mundo desigual que criticamos. O Ano da Misericórdia deve nos lembrar que somos apenas uma das criaturas que formam o universo e, se temos o dom da possibilidade da consciência, é para preservar o mundo, não para dominá-lo de forma brutal e inconsequente.

Esta semana a cultura brasileira completa o ciclo natalino com a visita dos Santos Reis em muitas localidades onde são recebidos com festas e brindes; em muitos povoados e pequenas vilas estão a celebrar a congada, danças em honra de São Bendito, o santo que cuida da comida e que nada deixa a faltar; em outras comunidades, celebra-se a São Gonçalo do Amarante, que se dedicou às mulheres excluídas, uma festa de fartura, pois assim é que é o céu para os despossuídos; noutras comunidades ainda se faz a Queima da Lapinha, tornando cinza as vaidades das pastoras, gerando a possibilidade do recomeço da longa jornada do ano iniciante. Que Sejamos felizes nessa nova etapa da jornada que temos no universo. Sejamos felizes por sermos colaboradores com a beleza.

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