Março

 

Março, em meados foi assassinado Júlio César que desejava permanecer no comando da República Romana até que ocorresse a sua morte. Assassinado por amigos, entre eles seu filho adotivo, sua vontade foi realizada, pois, após ele a República Romana deixou de existir, sendo o seu assassinato a prova definitiva de que aquela etapa da vida romana havia sido vencida. O governo de César apontava o governo dos césares. Março é um mês como outros, mas o pensamento mágico o liga a alguns acontecimentos que são tomados como prenúncio. Assim foi o 15 de março para César, assim foi 13 de março para Goulart. As vaias de março podem apenas significar as vaias de março para Dilma e não o retorno daquele que se recusou a ir. E é na segunda quinzena de março que termina um ciclo e inicia outro no calendário das religiões antigas

Em um desses março, foi escolhido um latino americano para assumir a liderança dos católicos e, parece que, desde então vem ocorrendo mudanças insuspeitadas e alento novo à Igreja Católica Romana. Nos anos da contracultura, período explosivo inicial de repúdio à Civilização Ocidental pelos ocidentais, a renovação da Igreja, ao menos na América Latina, decorreu da necessidade de defender politicamente os direitos humanos, resultados da criatividade ocidental, diante da barbárie que vinha sendo instalada desde a Guerra de 14 e quase cristalizada nos campos de concentração nazistas ou nos gullags soviéticos, cambdjanos e outros motivados pela leitura entusiasmada das utopias iluministas que reduzem alguns à servidão em nome de liberdades que, dizem, um há de chegar. Naquele momento os católicos animaram-se com a escolha de um padre originário de família camponesa, simples e gordo como se fora um avô que trazia novos caminhos e arejamentos. A Igreja renovou-se e, na América Latina ela tomou rumos políticos insuspeitados, pois a realidade no subcontinente era uma negação dos melhores sonhos da modernidade.   Daí a defesa dos Direitos Humanos, reconhecidos e alentados em uma declaração universal de 1948.

Mas os Direitos Humanos podem ser utilizados para defender os direitos de uma parcela em detrimento dos de outra parcela da humanidade quando apenas defendemos direitos em abstratos e sem considerar os fatos, a realidade objetiva, essa da fome de milhares de pessoas que não podem esperara próxima geração para saciar-se enquanto defensores dos direitos usam as palavras para defender seus interesses tribais. O papa que foi escolhido em meados de março de 2013 começou dizendo aos de sua tribo, especialmente aqueles com poderes efetivos, que mais que as argumentações valem os fatos da vida. Não tem validade argumentos usados por aqueles que enriquecem enquanto dizem fazer a defesa dos direitos dos pobres. Palavras devem vir acompanhadas por ações maiores que os interesses tribais, sejam elas sanguíneas, religiosas ou partidárias. Que bom que o mês de março pode nos trazer tantas novidades!

Neste março, mês de aniversários de meu pai, de irmãos, filha, netos e sobrinhos distantes, leio que a sobrinha Tatiana Nascimento recebeu mais um prêmio por seu trabalho como jornalista, escrevendo sobre o difícil caminho dos trabalhadores que constroem o Porto de Suape, em Pernambuco. Parabéns, Tati. Eu e meu irmão Doc estamos felizes.

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