De Sarney e Anás

De Sarney a Anás

 

A agonia dos Direitos Humanos continua no Maranhão dominado pelo clã de José Ribamar Sarney desde a sexta década do século XX (1967). O apoio que ele dedicou ao movimento de militares e civis valeu-lhe muito poder baseado na esperança que o jovem líder maranhense eleva-se o seu estado a melhores patamares de qualidade de vida. A longa vida política de José Sarney mostra a sua competência em manter-se sempre ao lado dos que se tornam vencedores na trama conjuntural da história mantendo a estrutura básica. O talentoso político que apontava os erros históricos que levaram o Maranhão a ficar atrasado no tempo, e teve a seu serviço a imaginação criadora de Glauber Rocha, é parte das forças estruturantes do poder, hoje ele é o patriarca herdeiro de todos os seus antecessores. Tendo sobrevivido à substituição dos militares, de quem foi canino auxiliar, ao tempo que protegia poetas e conseguia sinecura para literatos, Sarney tem mantido o controle de parte do poder nesses tempos democráticos, especialmente os anos que estão tutelados por antigos sindicalistas e guerrilheiros derrotados pelos militares a quem serviu. Assim, nas prisões do Maranhão tem sido cultivado o costume bárbaro dos tempos do “corta cabeças” das guerras florianistas, do exército que derrotou o Arraial de Canudos e de grupos criminosos nos morros das antigas favelas, hoje denominadas Assentamentos populacionais sub-humanos.

Assim começamos o ano, mas não apenas assim, com visitas protocolares e silenciosas do ministro da Justiça ao Maranhão. Estamos a ser revigorados com o batismo católico concedido a pessoa nascida em família que não está casada no ritual da Igreja Católica Romana. O talento do Papa Francisco em realizar o cristianismo surpreende a todos. A Capela Sistina tornou-se mais católica. Sabemos que em paróquias comuns, o vigário local com a paciência evangélica vem, no silêncio mariano, praticando esse gesto. O sentido pastoral do bispo de Roma absolve os párocos e absorve a prática. Louvado por isso foi imediatamente criticado por ter lamentado que seres humanos sejam descartados como lixo, combatendo a prática do aborto. A busca da moral fácil e relativista não percebe, não deseja perceber que não se pode defender a vida pela metade: se se condena o assassinato de adultos não há como absolver o assassinato de seres humanos ainda mais indefesos. A coerência de Francisco termina por desnudar o relativismo que seduz a todos.

Nos tempos da Ditadura Civil Militar vivenciada pelo Brasil na segunda metade do século XX, parte dos católicos manteve-se unidos na defesa dos Direitos da Pessoa Humana, dos Direitos Humanos, animados pelo Sermão da Montanha e pela declaração da ONU; ardor evangélico e continuidade na construção iluminista. Esses foram “sinais de contradição”. Continuam sendo por não cederem à tentação da fácil vida palaciana, essa que confunde respeito à dignidade com esmola dada ou recebida. A sociedade brasileira foi beneficiada pelas atitudes corajosas dos católicos, desde os mais simples aos mais titulados nas academias. Não há o que agradecer, mas a honestidade dos propósitos exige a coerência com os princípios. Daí que as atitudes de Francisco, tão católico quanto iluminista, assustam progressistas seguidores Anás.

Anás foi o sacerdote mais influente no universo judaico sob a tutela do Império Romano. Durante décadas seus filhos e genros mantiveram fariseus e saduceus satisfeitos. Anás morreu de velhice. Dizem ter sido um dos homens mais feliz de seu tempo. Para salvar a nação ele possibilitou a criação do cristianismo.

14/01/2013

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