as ruas e as contradições da construção histórica do povo.

Uma cidade se conta nas ruas que são abertas por ações humanas. São conhecidas, algumas vezes por seus habitantes mais antigos, como ocorre comm o Córrego do Joaquim, ali em Nova Descoberta; outras vezes por um consenso de que este ou aquela pessoa contribuiu para a existência e vida da cidade, como observa na Avenida Conde da Boa Vista, mais conhecida pelo nobiliárquico que por seu nome da batismo, de Francisco do Rego Barros. Serviu ele à monarquia? Sim, mas serviu ao povo do Recife. Agora que acabou a monarquia há que se tirar esse pedaço da história? O Recife não possuir uma explícita  Avenida Getúlio Vargas não lhe diminui o sentido republicano de sua história, escondida nas ruas Pedro Ivo e Nunes Machado, quase becos desconhecidos. Mas essa é a vida da cidade, das ruas que carregam a história que se acumula no viver cotidiano. Sim, apesar da memória selecionar alguns aspectos, as poeiras dos acontecimentos e das ações continuam guardadas para novas insurgências.  Mudanças de nomes por interesses políticos imediatos é próprio de políticos que julgam terem chegado ao término dos acontecimentos, fazem o juízo final e definem quem deve desaparecer para que a novidade se firme por insegurança legislativa.  Isso aconteceu na Revolução da Rússia com os soviéticos que trocaram os nomes imperiais da cidades russas para lhe por nomes dos revolucionários de 1917. No final do século XX a derrocada do “socialismo real” trouxe de volta os nomes saídos das placas mas permanecidos no âmago do povo. Manipulação da história na construção de novas histórias.

O Recife republicano, gerado no Recife monárquico, terminou por aparecer sem apagar a história dos mascates, dos senhores de engenho e usineiros. Ele está em redor do prédio da SUDENE. Podemos nos perguntar porque assim ocorreu, procurar entender, mas não é de bom alvitre manipular dessa maneira os espaços de sociabilidade do povo.

É notório a todos que nomes dados a logradouros , pontes, praças, ruas, avenidas possuem em seu âmago o interesse de ensinar a história, desenhar. Assim é em todo o  mundo. Mas cuidemos de pavimentar espaços com pedras que nos ensinem caminhos únicos. Para evitar manipulações mais apressadas, definiu-se que não se ponha nome de ruas homenageando os vivos, os poderosos do momento. É que a tendência do servilismo termina se tornando um vício político, como entendeu o ditador Médici, no governo de quem teve início essa proibição, estendida também a prédios oficiais. Dizem que isso não se aplica no Maranhão.  Devemos ter esse cuidado em preservar nossa história. Há uma norma que deve se evitar fazer apagamentos de nomes de ruas. Caso a edilidade queira homenagear alguém que foi importante na construção cívica do lugar, crie-se um novo logradouro, um nova praça. Os mais versados em música produzida no tempo da ditadura, lembra do chiste de Caetano Veloso lembrar que a Avenida Chile terminava na Liberdade. Isso no tempo de Pinochet. Pinochet se foi, a liberdade ficou, E também a Avenida Chile.

Guardemos nossa história, compreendendo-a, conhecendo-a em suas contradições. Não a apaguemos em sua beleza paa impor a “pureza” de nosso pensamento volúvel.

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