A estiagem não é apenas física

 

Começamos o mês de dezembro. A ausência de chuvas continua severa, apesar de alguns pequenos pingos  caídos no final de novembro. Espera-se mais um pouco de água neste mês, pode ser prenúncio de bom inverno após quase três anos de estiagem. Mesmo na Zona da Mata Norte, percebemos como os pés de macaxeira ressentem-se e seu verdor é amarelado. Também amarelo, se formos caminhar na direção do pessimismo, é o jeito de pensar de alguns jovens professores que julgam serem as mudanças ocorridas nos últimos aos neste país terem sido resultados da ação voluntariosa de um homem ou partido. Apesar de saberem quase de tudo dos oráculos da historiografia francesa, de terem lido os sociólogos e linguísticas do momento, não se apoderaram, da ideia de que a história é um processo, uma ação coletiva, ainda que inconsciente por parte de algumas camadas. Para alguns desses jovens professores tudo parece ter sido iniciado em 2003. Assemelham-se à maioria dos jovens de minha juventude etária que julgavam nada poder ser diferente e que tudo era arriscado. Mas, assim caminhamos nós, a humanidade.

Nos últimos anos da ditadura civil-militar iniciada em 1964 surgiu o DIEESE, uma organização que começou a estudar seriamente a vida dos operários. Era o norte dos sindicalistas de então e, por oposição, uma dor de cabeça para os governantes. A cada temporada o DIEESSE nos informava qual deveria ser o salário mínimo se houvesse a decisão de cumprir a lei. O que dizia aquele organismo criado pelos sindicatos em plena efervescente da reorganização dos movimentos sociais, servia de modelos para as discussões entre sindicatos patronais e sindicatos das muitas categorias de trabalhadores. Esta semana este mesmo instituto nos diz que o salário mínimo do trabalhador brasileiro deveria ser pouco mais de dois mil reais. Está definido pelo governo dos antigos sindicalistas em pouco mais de seiscentos reais. Claro que tais números demonstram que essas coisas não podem se resolvidos em atos voluntariosos, mas são resultantes de acomodações de muitas vontades. Mas o que é interessante é que o DIEESE e seus números não parecem ser mais importantes neste debate. E, talvez porque não haja debates, uma vez que os movimentos sociais estão, em sua maioria fazendo parte da estrutura de poder, o que lhes dificulta o exercício da crítica, da oposição. Assim é que tudo parece emanar da vontade dos que governam e decidiram que aqueles que, atualmente, recebem salários iguais à metade do salário mínimo indicado pelo DIEESE fazem parte da chamada “nova classe média” .

Esses etariamente jovens professores não conseguem ver o dilema dessa questão. Estão demasiadamente envolvidos na tarefa de defender o que lhe dizem os partidos. Como dizia Geraldo Vandré “… lhe ensinam antigas lições de morrer pela pátria e viver sem razões”. Não é que não tinham razões, mas que tinham razões diferentes das de Vandré e das minhas. Mas Vandré queria dizer que não tinham “razão” pois não sabiam porque viviam com as antigas lições.

Os preparemos para o Natal ou para as festas do final do ano.

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