Passárgada, Casa da Dinda, casa ….

Acontecem coisas, nos surpreendemos com elas. Manuel Bandeira sonhava em ir para Passárgada, onde mantinha amizade com rei e, por isso estaria apto a realizar as maiores estripulias, inclusive andar de bicicleta e consumir drogas. Esta semana aprendemos que ser amigo ou genro do rei não implica em tanta liberalidade. Eis que o Duque de Parma, genro do rei de Espanha foi afastado do convívio real porque seu comportamento não condiz com a sua posição social. É que o esposo da princesa andou metendo a mão no dinheiro público espanhol objetivando o seu enriquecimento pessoal. Isso não é tolerável na Espanha. Então aprendemos que Passárgada não está no reino espanhol.

Passárgada era uma das cidades de repouso do rei Dario da Pérsia. Os reis persas eram muito poderosos e eram poucos que recebiam a permissão de aproximar-se de seu corpo. Era vistos através de cortinas e, os que chegavam a tal distância deviam ajoelhar-se e não levantar os olhos. Mas, os amigos do rei, esses mais íntimos podiam acompanhar a majestosa caçada de leões. Aos amigos tudo é permitido.

A Pérsia é local do Irã, a terra dos amigos do ex-presidente do Brasil. Talvez por isso Brasília, que já teve a Casa da Dinda (nos tempos colloridos), a Casa da República do ABC, agora está cada vez mais semelhante a Passárgada, paraíso dos amigos da Soberana. Os amigos da Soberana podem ser soberbos, não explicar as suas ações. O segundo semestre deste ano foi pródigo em nos mostrar que os amigos da rainha não precisam dar qualquer explicação ao congresso. Isso é coisa de república, não de estados teocráticos. Nestes, basta que o soberano aceite as explicações, como disse a vestal Salvati. Foi assim na Passárgada dos amigos de Dario. Quase sempre, quando havia algum problema, o jardineiro era culpado. Os amigos do rei são sempre inocentes e podem escrever a história a seu modo.

Dario foi derrotado pelos gregos, que foram vencidos pelos romanos. E Cronos se alimenta dos seus filhos, até que um que lhe escapa, parece vencê-lo. Os gregos e romanos acreditavam que seus deuses alimentavam-se da ambrósia, fruto que não era permitido aos humanos. Quando algum humano tomava desse alimento ele se tornava imortal como os deuses. Há quem sonhe com isso. Ser imortal, ser divino. Todos desejam a segurança para além das calendas, e confundiram champagne com ambrósia. O excesso da champagne leva à embriaguês e certa alegria, do mesmo modo, a ambrósia, além da conta pode levar o consumidor a explodir em chamas.

Os deuses vivem o tempo da vida dos seus crentes, quais vampiros, alimentam-se de seu sangue e de suas ilusões.
O Duque de Parma envergonhou a realeza espanhola por ter usado erroneamente os recursos públicos, fez um “mal feito”; no Brasil, os amigos da soberana de Passárgada não precisam fazer nada, amigos da soberana têm alcalóides a vontade e a tia salvati lhes contará histórias para eles dormirem.

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