Visita a Lagarto

 

Olhos acostumados à mesmice da monocultura da cana de açúcar ficam surpresos com a diversidade de produção em terras de média e pequena propriedade. Essa foi a sensação que tive em terra de “cobras”, na cidade de Lagartos, SE, situada cerca de 80quilômetros de Aracajú, na direção sul. Visitando o povoado de Santo Antonio, local do início da ocupação da região em torno de uma capela dedicada ao santo que tudo fazia em Portugal e no Brasil, segundo reza a tradição religiosa popular. Vi o resultado do

Tabaco em folhas - Foto Biu Vicente

Tabaco em folhas - Foto Biu Vicente

trabalho de pequenos proprietários, cultivadores de tabaco, mandioca, maracujá, pimenta. Bonito ver o resultado dos pequenos que nos alimentam anonimamente. Grande parte da produção é encaminhada para indústria local, cujo nome é facilmente encontrada nos supermercados dos centros urbanos do Nordeste. A região também tem uma forte tradição na pecuária.

Cheguei à cidade a convite do Grupo de Estudo e Pesquisa de História da Igreja em Sergipe, da Universidade Federal de Sergipe que, embora não tenha, ainda, campus naquela cidade, fez parceria com as Secretarias de Educação, de Assistência Social para promover o Primeiro Encontro Nacional de História da Igreja Católica. Tive a alegria de ver um antigo cinema lotado com estudantes do Ensino Médio e do Ensino Universitário (Lagarto tem uma faculdade que oferece curso de História) e o auditório da Secretaria de Educação repleto com estudantes que, para participar de debates e apresentação de estudos e pesquisas, viajaram mais que três horas desde suas cidades. Foi um evento grande, poderoso pelo que aponta e pela oportunidade dos jovens pesquisadores darem seus primeiros passos para nos auxiliar a compreender as grandes histórias que estão escondidas nesses “pequenos” lugares, e nos farão compreender que existe vida em lugares diferentes das plagas sudestinas.

Lagarto, marco do início. Foto de Claudefranklin

Lagarto, marco do início. Foto de Claudefranklin

E que alegria ouvir a pesquisa que Mariana Barreto está fazendo para obter o mestrado em Feira de Santana, BA. Também foi gostoso ouvir o resumo da pesquisa que Avani Gama fez para concluir sua graduação, sobre manifestações  de religiosidades não permitidas em sua região. Importante e precioso o trabalho do GPESHIS alimentado pelos professores Claudefranklin e Lindvaldo. Assim vamos construindo novos tempos, amizades e vidas.

About the Author

Nascido em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernamabuco, cresci no Recife, onde fiz todos os meus estudos em escolas públicas. Sou formado em Teologia no Instituto de Teologia do Recife - ITER; licenciado em História pela UFPE, onde defendi dissertação sob o tema "A Primeira Guerra Mundial na Tribuna religiosa: o nascimento da neo-cristandade" e a tese doutoral "Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e Recife". Publiquei Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX, pela Editora Universitária UFPE. Sou pai de Ângelo, Valéria e Tâmisa,filhos de tereza; e avô de Rafael, Lucas, Tereza e Carolina . Agora sou pai de Isaac, filho de Manuela. Tenho pesquisado a cultura e a sociedade da Zona da Mata Norte de Pernambuco e dessas pesquisas publiquei Festa de Caboclo; Estrela de Ouro de Aliança, a saga de Uma Tradição; e Pretinhas do Congo, uma nação africana na Jurema da Mata Norte.