﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Biu Vicente</title>
	<atom:link href="http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.biuvicente.com/blog</link>
	<description>Aqui podem ser encontradas as minhas idéias e as esperanças que cultivo.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 15 May 2012 11:11:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator>
		<item>
		<title>Dona Filó</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1569</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1569#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 11:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Filomena Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1569</guid>
		<description><![CDATA[Superando as dificuldades inerentes à época, meu pai conseguiu uma vaga no Colégio Estadual Dom Vital, em frente ao Mercado de Casa Amarela. Na década de cinquenta do século passado não havia muitos colégios públicos, ainda vigia mais fortemente que hoje, que aos mais pobres, a educação não era facilitada. Foi assim que entrei no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Superando as dificuldades inerentes à época, meu pai conseguiu uma vaga no Colégio Estadual Dom Vital, em frente ao Mercado de Casa Amarela. Na década de cinquenta do século passado não havia muitos colégios públicos, ainda vigia mais fortemente que hoje, que aos mais pobres, a educação não era facilitada. Foi assim que entrei no ensino público em 1960, para cursar a quarta série do Primário. E, por esse caminho da vida, conheci uma jovem cuja função no colégio era garantir a disciplina no corredor onde ficava a sala na qual conheci Dona Dolores, a minha professora. Ao final do ano, inscrevi-me a fazer o Exame de Admissão ao Ginásio e fui estudar no Seminário Menor da Várzea. Do Colégio Dom Vital ficou-me a lembrança de Dona Dolores e Dona Carminha, a Diretora, mas de Filó, a mulher que cuidava da disciplina.</p>
<p>Anos mais tarde, voltei a estudar no Dom Vital, agora no vespertino, um horário que ocupava o tempo da escola entre as 15:30 e 16:00 horas, um desses turnos que foram inventados para atender a demanda reprimida por educação no início dessa universalização do ensino, sempre em prejuízo das camadas sociais “menos favorecidas”, como os mais favorecidos nos ensinavam a decorar. Já eram os anos da ditadura civil-militar instalada em 1964. No meu retorno ao Dom Vital ainda encontrei Dona Carminha, no ano de sua aposentadoria, e dona Filó. Ela continuava na mesma tarefa de manter a disciplina, mas agora não mais de crianças, éramos adolescentes que fazíamos o Curso Científico. Sem ter estudado psicologia, Dona Filó acompanhava os nossos namoros, as cortes que fazíamos às meninas, especialmente as que achávamos mais bonitas. O hoje professor  da UFPE, Darcier disputava com o colega “Sapateiro”, a simpatia de Clarice; eu ficava entre as atenções à Elizabete e Eliene; João Batista azarava todo mundo e queria fazer revolução à esquerda; e havia um militante da TFP em nossa classe. Filó olhava a todos, chamava para conversar, aconselhava as meninas e censurava os rapazes. Era parte do seu trabalho e era a sua vida auxiliar jovens estudantes iniciantes nos mistérios da vida. Hoje, a função do bedel, esse intermediário entre professores e alunos, alunos e diretoria (ainda não haviam criado o Serviço de Orientação Psicológico ou Educacional), esse cuidador da disciplina foi afastado das escolas. Mas Filo continuou no Colégio Dom Vital até a sua aposentadoria. </p>
<p>Uma de suas filhas, Terezinha, tornou-se professora em Nova Descoberta, trabalhando nas mesmas escolas onde lecionava também a minha irmã. Terezinha acabou por namorar meu irmão José Vicente, o “Doutô” e Dona Filó e eu voltamos a nos encontrar. &#8220;Doutô&#8221; casou com Terezinha, e juntos deram dois netos a Filó.  Sua outra filha, Dayse, veio a ser minha aluna nos anos setenta. Casada, Dayse fez duas netas. O seu filho Miguel, marinheiro de olhos verdes do mar, deixou dois netos para Filó. Foram anos de contato e convivência. Seu marido Manoel era um marceneiro que gostava de jogar dominó e tinha as sobrancelhas grossas como os Tundarbirds, com carinho fez a minha primeira estante, lugar para guardar os meus primeiros livros, ferramentas essenciais na profissão que é a minha vocação.</p>
<p>Tudo isso veio à minha memória, surgiu ao longo do dia de ontem, dia do falecimento de Filó, que foi morrendo ao poucos nesses últimos anos e ontem, com a mesma  discrição com que mantinha disciplina nos corredores do Colégio Estadual Dom Vital, morreu. Escrevo essas memórias de minha vida nos momentos em que ela tocou a de Filó, para louvar a educadora que ela foi e que influenciou alguns anos de minha adolescência. Foram noventa e dois anos de vida, com tudo que a vida oferece: marido, filhas, netos, netas, amigos, lágrimas e risos. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1569</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A história, a arrogância, a simplicidade e a admiração</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1565</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1565#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 May 2012 14:46:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Caetano]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Daniel Lima]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1565</guid>
		<description><![CDATA[A semana primeira terminou e Isaac continua a crescer e a dizer que veio viver com alegria. Muito trabalhoso este tempo em que voltei à antiga rotina, agora sem a vitalidade de anos passados mas com a paciência que o tempo pode nos ensinar, se quisermos aprender. E aprendemos muitas lições e deixamos muitas passar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A semana primeira terminou e Isaac continua a crescer e a dizer que veio viver  com alegria. Muito trabalhoso este tempo em que voltei à antiga rotina, agora sem a vitalidade de anos passados mas com a paciência que o tempo pode nos ensinar, se quisermos aprender. E aprendemos muitas lições e deixamos muitas passar sem delas tirar proveito.</p>
<p>Esta semana ouvi um comentarista dizer que temia que a nova geração se deixasse animar por alguns que, dizendo-se democratas e utilizando ações pretéritas, quase sempre protagonizadas por outros, estão a por em risco o que foi conquistado com a luta daqueles que os sedutores dizem representar. Um dessas conquistas foi a liberdade de imprensa, a liberdade de dizer o que se pensa e ser responsável pelo dito. Lutamos na defesa de que todos devemos cultivar essa liberdade, que não podemos conceder a nenhuma pessoa, comissão ou qualquer coisa semelhante, o direito de nos dizer o que pensar e o que dizer. Os mais jovens que nasceram e cresceram com a possibilidade de expressar seus pensamentos precisam compreender que devem evitar perder essa maravilha. Para isso, é necessário pensar no que dizem aqueles que desejam pensar por nós. Lutamos contra uma ditadura e vencemos, mas não podemos deixar que usem nossa luta para nos enfiar em um nova era de medo.</p>
<p>Com muita dificuldade estamos mantendo as nossas instituições e as modernizando, mas modernizá-las não significa querer estabelecer verdades oficiais. Isso cabe à história que, a cada geração faz novas apreciações. Tem gente querendo evitar o caminhar da história e, como alguns do início do século XX, querem que apenas o seu pensar seja aceito, não fulano de tal, seja bigodudo, barbudo ou de cara limpa. </p>
<p>Quando estudava teologia, nos terríveis anos setenta, um dos nossos colegas de classe, Francisco Caetano, nos fez um presente: promoveu uma aula, uma conversa com um padre de quem jamais ouvira falar e de quem jamais esqueci desde então. O padre Daniel Lima. Ele nos chegou com seu jeito de moleque mestiço, com um caderno de anotações no qual tudo estava, suas poesias, suas reflexões e algumas receitas de bolo ou prato que degustou e gostou. Incrível que não lembre de uma frase específica, uma boutade ou chiste ou um conselho especial. Só lembro a liberdade de seus olhos, a sua alegria de estar conosco no Instituto de Teologia do Recife naquela manhã. A sua simplicidade e admiração que estava refletida nos olhares de alguns dos professores presentes me fizeram perguntar a Caetano como foi que ele descobrira aquele tesouro de vida, e me pergunto até hoje a razão de ele nãofazer parte do corpo docente do ITER. Recentemente soube da morte desse poeta nascido em Timbaúba e soube que Luzilá, pesquisadora e admiradora de Daniel Lima publicou suas poesias.<br />
A simplicidade e a sabedoria do padre Daniel Lima continuam vindo à minha Memória para alegrar-me e dizer como eu deveria ser. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1565</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Isaac Severino Guedes Correa Vicente</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1562</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1562#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 03 May 2012 12:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Manuela Guedes]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Isaac]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1562</guid>
		<description><![CDATA[Quando está ocorrendo a mudança das folhas das mangueiras, Quando recebemos as últimas mangas das chuvas do final do verão, Quando as flores espalham cores de maio anunciando a beleza da vida, Isaac Severino saiu do ventre da Manuela Guedes Vicente E fez sorrir a todos e ensina que estamos em novo começo. Assim nasceu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando está ocorrendo a mudança das folhas das mangueiras,<br />
Quando recebemos as últimas mangas das chuvas do final do verão,<br />
Quando as flores espalham cores de maio anunciando a beleza da vida,<br />
Isaac Severino saiu do ventre da Manuela Guedes Vicente<br />
E fez sorrir a todos e ensina que estamos em novo começo.</p>
<p>Assim nasceu meu quarto filho, no mês de maio, o segundo do primeiro semestre, dois meses depois de Tâmisa; o segundo semestre é ornado por Valéria e Ângelo. Quatro como os Pontos Cardeais – Norte, Sul, Leste, Oeste -,indicam que o universo pode ser amado em todas as direções; Quatro como as Virtudes Cardeais &#8211; Prudência, Fortaleza, Justiça e Temperança – nos dizem como devemos nos comportar no universo que ganhamos para viver e não possuir.</p>
<p>02 de Maio de 2012 </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1562</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Primeiro de maio</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1559</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1559#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 May 2012 12:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Civilzação]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1559</guid>
		<description><![CDATA[Primeiro de maio, dia para refletir sobre o que fez do animal um homem, a capacidade de agir com sentido, com objetivo: o trabalho. Talvez tivesse sido esse o objetivo de dona Dilma, presidente do Brasil, na conversa que ontem quis manter com o povo brasileiro. Mas não precisava falar como se não fosse, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro de maio, dia para refletir sobre o que fez do animal um homem, a capacidade de agir com sentido, com objetivo: o trabalho. Talvez tivesse sido esse o objetivo de dona Dilma, presidente do Brasil, na conversa que ontem quis manter com o povo brasileiro. Mas não precisava falar como se não fosse, em determinados momentos, presidente do Brasil. A situação dos juros é incompreensível, diz a presidente, mas não se pode dizer que apenas os banqueiros são responsáveis por essa situação. A fabricação de cargos comissionados na administração federal pode contribuir para isso, bem como a facilidade que possuem os poderes legislativo e judiciário em fazer crescer seus salários e, simultaneamente nos ensinar que os salários dos funcionários do executivo que agem diretamente com a população (médicos, enfermeiros, policiais, professores, limpeza pública, etc.) não podem ser aumentados pois poriam em risco a saúde financeira e econômica do Brasil. Semelhante raciocínio é aplicado aos aposentados. Esqueceu, dona Dilma, de lembrar que a maior sócia do Plano de Aceleração do Crescimento do Brasil, a DELTA, está envolvida em malfeitos. Como são parceiros, não dá para continuar aceitando a tese de antigo presidente que vive repetindo: “fui traído”, “não sabia de nada”, “apunhalado pelas costas”, etc. e outras baboseiras. Claro que essas questões, esta herança maldita, que exige tanta propina para aprovação de projetos, que engole um São Francisco, deve ter alguma relação com os juros, com essa ciranda financeira que foi capaz de tornar milionários personagens que jamais trabalharam. Um ditado da região onde nasci dia: “quem não rouba nem herda, enrica de&#8230;.”. E muita gente ficou milionário nestes últimos nove anos sem ter oficina montada,<br />
Mas o Primeiro de Maio, é dedicado aos trabalhadores. </p>
<p>Em tempos mais populistas havia jogos de futebol com portões abertos para o público. Não havia televisão. Durante a ditadura civil-militar, o Primeiro de Maio era o momento dos trabalhadores chamarem atenção para a situação vexatória em que vivia a classe trabalhadora, enquanto a classe média começava a andar de “corcel cor de mel”. Os sindicatos faziam campanha, junto com a Pastoral Operária da Igreja Católica, para manifestações de repúdio ao arrocho salarial. Não havia as centrais sindicais. Hoje as há e as manifestações são animadas por pagodeiros, artistas e amigos do rei, com farto sorteio de carros. Como dizia um filme de outras épocas, “A classe operária vai ao paraíso”. Há um São Francisco de alegria e o seu delta derrama no mar dos ricos o que a pobreza produz, pois a seca, ou estiagem prolongada, continua a ser sentida e não se encontra uma maneira diferente de conviver com a seca, exceto modernizando a sua indústria. Há um São Francisco sem transposicionar  e muitas cacimbas a serem construídas. E ainda há um Orós de escolas de ensino básico a serem criadas enquanto são assegurados ressorts universitários para alguns. Privilégios são mantidos graças a outros que são criados.  </p>
<p>No dia Primeiro de Maio, uma lembrança dos primeiros trabalhadores expropriados na formação dos privilégios, antigos e novos, deste país: Tabajara, Tupinabá, Caeté, Canidé, Bultrin et alli.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1559</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Inquisição de hoje e as religiosas norte-americanas &#8211; escrito por Ivone Gebara</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1557</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1557#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 21:50:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[História da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Ivone Gebara]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia femiinista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1557</guid>
		<description><![CDATA[A Inquisição de hoje e as religiosas norte-americanas (por Ivone Gebara) Mais uma vez assistimos estarrecidas &#8220;a avaliação doutrinal” ou a chamada de atenção ou a punição dirigida pela Congregação da Doutrina da fé para quem, segundo ela, foge da observância à correta doutrina católica. Só que agora não apontaram o dedo acusador para uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Inquisição de hoje e as religiosas norte-americanas (por Ivone Gebara)</p>
<p>Mais uma vez assistimos estarrecidas &#8220;a avaliação doutrinal” ou a chamada de atenção ou a punição dirigida pela Congregação da Doutrina da fé para quem, segundo ela, foge da observância à correta doutrina católica. Só que agora não apontaram o dedo acusador para uma pessoa, mas para uma instituição que congrega e representa mais de 55.000 religiosas norte-americanas. Trata-se da Conferencia Nacional das Religiosas conhecida pela sigla LRWC – Conferência da Liderança Religiosa Feminina. Estas religiosas ao longo de sua história desenvolveram e ainda desenvolvem uma missão educativa ampla em favor da dignidade de muitas pessoas e grupos dentro e fora dos Estados Unidos.</p>
<p>A maioria dessas mulheres pertencentes a diferentes congregações nacionais e internacionais além de sua formação humanista cristã são intelectuais e profissionais nas várias áreas do conhecimento. São escritoras, filósofas, biólogas, sociólogas, advogadas, teólogas e têm um vasto currículo e reconhecida competência nacional e internacional. São igualmente educadoras, catequistas e ativistas em direitos humanos. Em muitas situações foram capazes de expor sua vida em favor de injustiçados ou se opor a comportamentos graves assumidos pelo governo norte-americano. Tive a honra de conhecer algumas delas que foram presas porque se colocaram na linha de frente das manifestações para o fechamento da Escola das Américas, instituição do governo norte-americano que prepara militares para atuarem em nossos países de forma repressiva e cruel. Estas religiosas são mulheres de reflexão e ação com uma longa história de serviços não apenas em seu país, mas em muitos outros. Hoje estão sob suspeita e sob tutela do Vaticano. São criticadas por discordar dos bispos considerados &#8220;os autênticos mestres da fé e da moral”.E mais, são acusadas de serem partidárias de um feminismo radical, de desvios em relação à doutrina católica romana, de cumplicidade na aprovação das uniões homossexuais e outras acusações que chegam a nos espantar dado o seu anacronismo. O que seria um feminismo radical? Quais seriam suas manifestações reais na vida das congregações religiosas femininas? Que desvios teológicos estariam as religiosas vivendo? Estaríamos nós mulheres sendo vigiadas e punidas por não conseguirmos mais ser fiéis a nós mesmas e à tradição do Evangelho por intermédio de uma cega sujeição à ordem hierárquica masculina? Estariam os responsáveis das Congregações vaticanas alheios à grande revolução mundial feminista que tocou todos os continentes e inclusive as congregações religiosas?</p>
<p>Muitas mulheres religiosas nos Estados Unidos e em outros países são de fato herdeiras, mestras e discípulas de uma das mais interessantes expressões do feminismo mundial, sobretudo do feminismo teológico que se desenvolveu nos Estados Unidos a partir do final da década de 1960. Suas idéias originais, críticas e posturas libertárias permitiram uma nova leitura teológica que por sua vez pode acompanhar os movimentos de emancipação das mulheres. Dessa forma puderam contribuir para repensar nossa tradição religiosa cristã para além da invisibilização e opressão das mulheres. Criaram igualmente espaços alternativos de formação, textos teológicos e celebrativos para que a tradição do Movimento de Jesus continuasse a nutrir nosso presente e não fosse abandonada por milhares de pessoas cansadas com o peso das normas e das estruturas religiosas patriarcais.</p>
<p>Que atitudes tomar diante desse anacronismo e violência simbólica das instâncias curiais e administrativas da Igreja Católica Romana? Que pensar de seu referencial filosófico rígido que assimila o melhor do ser humano ao masculino? Que dizer de sua visão antropológica unilateral e misógena a partir da qual interpretam a tradição de Jesus? Que pensar desse tratamento administrativo/punitivo a partir do qual se nomeia um arcebispo para rever, orientar e aprovar decisões tomadas pela Conferência de Religiosas como se fôssemos incapazes de discernimento e lucidez? Seríamos acaso uma empresa capitalista multinacional em que nossos &#8220;produtos” deveriam obedecer aos ditames de uma linha de produção única? E para mantê-la devemos ser controladas como autômatos pelos que se consideram os donos e guardiões da instituição? Onde fica a liberdade, a caridade, a criatividade histórica, o amor sororal e fraternal?<br />
Ao mesmo tempo em que a indignação toma conta de nós, um sentimento de fidelidade à nossa dignidade de mulheres e ao Evangelho anunciado aos pobres e marginalizados nos convida a reagir a mais esse ato de repugnante injustiça.</p>
<p>Não é de hoje que os prelados e funcionários da Igreja agem com dois pesos e duas medidas. Por um lado as altas instâncias da Igreja Católica Romana foram capazes de acolher de novo para seu seio os grupos de extrema direita cuja história nociva, sobretudo a jovens e crianças é amplamente conhecida. Penso especialmente nos Legionários de Cristo de Marcial Maciel (México) ou nos religiosos de Monsenhor Lefevre (Suíça) cuja desobediência ao papa e os métodos coercitivos de fazer discípulos é testemunhada por muitos. Essa mesma Igreja institucional acolhe os homens que lhes interessa por seu poder e repudia as mulheres que deseja manter submissas. Com sua atitude as expõem a críticas ridículas veiculadas até por mídias religiosas católicas de má fé. Dessas mulheres os prelados parecem reconhecer formalmente algum mérito quando suas ações se referem àquelas tradicionalmente exercidas pelas religiosas nas escolas e nos hospitais. Mas somos apenas isso? Sabemos bem que em nenhum momento nos Estados Unidos se levantou a menor hipótese de que essas religiosas teriam violentado jovens, crianças e anciãos. Nenhuma denúncia pública maculou sua imagem. Delas não se falou que se aliaram a grandes bancos internacionais em benefício próprio. Nenhuma denúncia de tráfico de influencias, de troca de favores para guardar o silencio da impunidade. E mesmo assim nenhuma delas foi canonizada e nem beatificada pelas autoridades eclesiásticas como o fizeram em relação a homens de poder. O reconhecimento dessas mulheres vem das muitas comunidades e grupos cristãos ou não, que partilharam a vida e os trabalhos com muitas delas. E estes grupos com certeza não se calarão diante dessa &#8220;avaliação doutrinal” injusta que também os toca diretamente.</p>
<p>Plagiando Jesus no seu Evangelho ouso dizer: &#8220;Tenho pena desses homens” que não conhecem as contradições e as belezas da vida de perto, que não deixam seu coração vibrar às claras com as alegrias e os sofrimentos das pessoas, que não amam o tempo presente, que ainda preferem a lei estrita à festa da vida. Apenas aprenderam as regras fechadas de uma doutrina fechada numa racionalidade já ultrapassada e a partir dela julgam a fé alheia e especialmente as mulheres. Pensam talvez que Deus aprova e se submete a eles e às suas elucubrações tão distantes dos que têm fome de pão e de justiça, dos famintos, dos abandonados, das prostituídas, das violentadas e esquecidas. Até quando teremos que sofrer sob seu jugo? Que posturas nos inspirará o &#8220;Espírito que sopra onde quer” para continuarmos fiéis à VIDA em nós?</p>
<p>Às queridas irmãs norte-americanas da LWRC meu agradecimento, carinho e solidariedade. Se vocês estão sendo perseguidas pelo bem que fazem provavelmente seu trabalho produzirá abundantes e bons frutos. Saibam que com vocês mulheres religiosas de outros continentes não permitiremos que calem nossa voz. Mas, se calarem por um decreto de papel, nós faremos dele uma razão a mais para seguirmos lutando pela dignidade humana e pela liberdade que nos constitui. Seguiremos de muitas maneiras anunciando o amor ao próximo como a chave da comunhão humana e cósmica presente na tradição de Jesus de Nazaré e em muitas outras, embora de formas diferentes. Continuaremos juntas a tecer para o nosso momento histórico mais um pedaço da vasta história da afirmação da liberdade, do direito de ser diferente e de pensar diferente e tudo isso tentando não ter medo de ser feliz.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1557</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Medidas Provisórias não resolvem problemas permanentes</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1555</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1555#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 21:36:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Civilzação]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[civismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[lula]]></category>
		<category><![CDATA[Medidas provisórias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1555</guid>
		<description><![CDATA[Amigos, a pedido do professor Lucivânio Jatobá ponho aqui este artigo escrito para o Jornal da Ciência da SBPPC. JC e-mail 2506, de 16 de Abril de 2004. Medidas Provisórias não resolvem problemas permanentes, artigo de Severino Vicente da Silva Se há tantos jovens fora do ensino superior talvez seja pelo fato de o Estado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos, a pedido do professor Lucivânio Jatobá ponho aqui este artigo escrito para o Jornal da Ciência da SBPPC.</p>
<p>JC e-mail 2506, de 16 de Abril de 2004.</p>
<p>Medidas Provisórias não resolvem problemas permanentes, artigo de Severino Vicente da Silva</p>
<p>Se há tantos jovens fora do ensino superior talvez seja pelo fato de o Estado não cuidar da Educação Básica como deveria</p>
<p>Severino Vicente da Silva é professor de História Moderna do Depto. História da UFPE, doutor em História do Brasil. Artigo enviado pelo autor ao &#8216;JC e-mail&#8217;:</p>
<p>Li a seguinte notícia na coluna, assinada por Belisa Ribeiro, no Jornal do Brasil do dia 13 de abril de 2004. &#8216;Na quinta-feira, o presidente Lula assina mais uma medida provisória, criando o Universidade para Todos. Isenta de PIS, Cofins, Imposto de Renda e contribuição social as Universidades privadas que concederem 10% de suas vagas gratuitamente.</p>
<p>A ociosidade das escolas superiores pagas está em 37,5%, enquanto o Brasil tem um dos índices mais baixos do mundo de jovens entre 18 e 24 anos na Universidade &#8211; 9%, contra 40% da Argentina e 80% dos EUA. O MEC estima conseguir, em cinco anos, 10% dos atuais 3,5 milhões de matrículas em Universidades públicas ou privadas.&#8217;</p>
<p>À medida que fui lendo essas palavras, certas perguntas começaram a formar-se em minha mente, carregadas por outras notícias, lidas em outros jornais, ouvidas em rádios e emissoras de televisão. Soube que nos últimos anos foram criadas, por particulares, muitas escolas superiores.</p>
<p>Creio que aqueles que investiram suas poupanças julgavam que haveria mercado para o produto que estavam vendendo: educação ou diplomas.</p>
<p>Contavam que haveria famílias dispostas a pagar, mensalmente, cerca de dois salários mínimos para que seus filhos se tornassem universitários e, diplomados, pudessem obter um emprego ou colocação no mercado.</p>
<p>Afinal, todos os dias, desde o final dos tempos do Rococó, que se diz que a educação é fundamental para ser bem recebido no mercado. Aqueles investidores em educação, em escolas superiores, só fizeram investimento com a permissão dos que governavam o país.</p>
<p>Afinal, uma escola é, de certa forma, uma concessão pública: tem que ter a chancela do Conselho Nacional de Educação (antes recebia o nome de Conselho Federal de Educação), pois ao Estado cabe garantir que as escolas que já funcionam e as que irão funcionar, o façam com o melhor nível de qualidade. Entretanto nem sempre é possível acompanhar tantas novas faculdades, pois foram criadas tantas nos últimos anos!</p>
<p>Ocorre que essas escolas necessitam que seus alunos paguem mensalidades. Com certeza os pais desses alunos gostariam de respeitar os compromissos assumidos quando da matrícula de seus filhos.</p>
<p>Contudo, ao mesmo tempo em que eram abertas as novas faculdades, muitas sem considerarem se haveria mercado consumidor para os serviços que pretendem oferecer, estava havendo uma corrupção do valor dos salários no país. Estima-se uma queda de cerca de 15% nos últimos seis anos. Ou seja, as pessoas não dispõem de meios para pagar os estudos que as faculdades oferecem.</p>
<p>A queda do poder aquisitivo dos trabalhadores brasileiros parece ser decorrente de uma opção realizada pelos governos anteriores, e continuada pelo atual, em garantir o pagamento de juros da dívida externa, seguindo o manual escrito pelos técnicos do Fundo Monetário Internacional, o mesmo que definiu uma certa política educacional para ser implementada pelos países que lhe são devedores.</p>
<p>Esse arrocho salarial aplicado sobre os trabalhadores que já se encontram nos limites entre a pobreza e a miséria, e também sobre a classe média &#8211; possível consumidora da educação oferecida por essas novas instituições de ensino superior &#8211; tem provocado a &#8216;ociosidade&#8217; das escolas superiores por várias vertentes: talvez não haja, mesmo, mercado para tanta oferta, talvez por isso algumas faculdades realizam vários vestibulares no mesmo período até ocuparem as vagas oferecidas; talvez muitos alunos abandonem o curso, logo após iniciado, por inadimplência, causada por desemprego, necessidade de reorganizar o orçamento familiar; ainda há que se contar que fazer um curso superior sem ler livros &#8211; os preços são proibitivos para estudantes e para as faculdades, como se pode comprovar visitando algumas &#8216;bibliotecas&#8217;, não garante boa formação, o que impede a muitos exercerem a profissão que o diploma deveria garantir, etc.</p>
<p>Se há tantos jovens fora do ensino superior talvez seja pelo fato de o Estado não cuidar da Educação Básica como deveria e, por essa razão poucos terminam o chamado Ensino Médio, além de que alguns que o terminam não possam ser absorvidos, não por falta de vagas, como se pode deduzir pelas razões que fez o presidente editar mais uma Medida Provisória (ou será Decreto-Lei?), mas por falta de renda, decorrente pelos baixos salários recebidos por seus pais, que não lhe permitem continuarem a oferecer a educação que o Estado e o Mercado continuam dizendo ser necessária para que haja a integração desses jovens no mercado de trabalho.</p>
<p>Esses fatores, entretanto, não parecem ter sido analisados pelo Ministério da Educação &#8211; o Ministro da educação não pretende, nem pode, entrar em choque com a política definida (?) pelo Ministério da Fazenda.</p>
<p>A solução encontrada é transferir renda para os donos das faculdades, com o Estado isentando essas instituições de ensino superior do pagamento de impostos, garantindo aos maus capitalistas, que não estudaram corretamente as tendências do mercado antes de abrir seus cursos.</p>
<p>Assim os atuais governantes decidem não investir no patrimônio público, fortalecendo o ensino privado, em detrimento do ensino público, Superior ou Médio. A receita renunciada pela isenção de impostos poderia ser aplicada na criação de novas escolas, contratação de novos professores para que o Estado pudesse cumprir a sua obrigação de oferecer o Ensino Básico a todos os cidadãos.</p>
<p>A solução para a questão das vagas ociosas nas instituições particulares de ensino superior só será alcançada com a mudança na política salarial que vem sendo adotada desde 1964, uma política de poupança forçada, aplicada apenas aos trabalhadores assalariados e à classe média, daí a grande concentração de renda que marca a sociedade brasileira.</p>
<p>De pouco adiantarão medidas paliativas como cotas de vagas para esse ou aquele segmento da sociedade se não forem adotadas medidas que mudem a estrutura doentia que aumenta que atormenta o povo brasileiro: cria cidadãos sem possibilidades de direitos, aproxima os pobres da miséria, empobrece a classe média e enriquece os que já são ricos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1555</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Para auxiliar o debate sobre as &#8220;cotas&#8221; raciais.</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1553</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1553#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 11:35:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Cotas Raciais]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1553</guid>
		<description><![CDATA[Nos EUA, cotas são ilegais, mas universidades adotam ações afirmativas Pablo Uchoa Da BBC Brasil em Washington Atualizado em 25 de abril, 2012 &#8211; 18:16 (Brasília) 21:16 GMT Ações afirmativas são amplamente utilizadas por instituições de ensino dos EUA para recrutar alunos desde os anos 1970 Pouco antes de terminar a escola secundária, Shirley J. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos EUA, cotas são ilegais, mas universidades adotam ações afirmativas<br />
Pablo Uchoa Da BBC Brasil em Washington<br />
Atualizado em  25 de abril, 2012 &#8211; 18:16 (Brasília) 21:16 GMT</p>
<p>Ações afirmativas são amplamente utilizadas por instituições de ensino dos EUA para recrutar alunos desde os anos 1970</p>
<p>Pouco antes de terminar a escola secundária, Shirley J. Wilcher nunca havia imaginado frequentar o prestigioso Holyoke Mounts College, em Massachusetts.</p>
<p>Beneficiada por ações afirmativas que lhe permitiram entrar em instituições até então apenas frequentadas pelos brancos, ela não apenas obteve seu bacharelado com honras, como continuou os estudos e obteve um mestrado na New School for Social Research, em Nova York, e um doutorado em Jurisprudência, Juris Doctor, em Harvard.</p>
<p>&#8220;Ações afirmativas são isso, lançar uma rede ampla para recrutar pessoas: por exemplo, ir a uma escola pobre no centro da cidade e falar com os professores, o que minha universidade fez&#8221;, disse Wilcher, hoje diretora-executiva da Associação Americana para Ações Afirmativas (AAAA), à BBC Brasil. &#8220;É reconhecer os talentos e dar oportunidades.&#8221;</p>
<p>Ações como as que resultaram na admissão de Wilcher em uma das universidades mais concorridas dos EUA são medidas amplamente utilizadas por instituições de ensino americanas para recrutar seus alunos desde os anos 1970.</p>
<p>Contrariando a crença de muitas pessoas fora dos EUA, as cotas numéricas são ilegais no país (apenas &#8220;metas&#8221; não obrigatórias são adotadas por empresas com contratos federais). Mas as principais universidades levam em conta fatores qualitativos – como status de minoria ou origem socio-econômica – para escolher alguns estudantes em detrimento de outros.</p>
<p>&#8220;As ações afirmativas não são inconsistentes com o mérito&#8221;, argumenta Wilcher. &#8220;Estas universidades só recrutam bons estudantes que estão no topo da lista. Meus colegas da faculdade de Direito de Harvard todos se graduaram com honra em seus bacharelados.&#8221;</p>
<p>Litígio<br />
Mas, como no Brasil, a aplicação destes critérios nos EUA está longe de ser uma unanimidade. Da mesma forma que as iniciativas brasileiras vão a julgamento no Supremo, em Brasília, também tem cabido à corte de maior hierarquia nos EUA o papel de definir a forma e o escopo das ações afirmativas.</p>
<p>Atualmente, vigora o entendimento da Suprema Corte americana em duas decisões tomadas conjuntamente em 2003, quando estava em julgamento o sistema de ações afirmativas da Universidade de Michigan.</p>
<p>Em um dos casos (Gratz x Bollinger &#8211; Lee Bolinger era o diretor da instituição), a Corte derrubou uma atribuição de 20 pontos para alunos de minorias étnicas no sistema de admissões da Universidade, um quinto do necessário para aceitação automática.</p>
<p>Ações afirmativas permitiram que Shirley J. Wilcher entrasse em instituições até então só frequentadas por brancos</p>
<p>O tribunal manteve uma decisão de 1978 que proibía vantagens numéricas para as minorias – assim banindo, por exemplo, cotas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, em outro caso (Grutter x Bollinger), a Corte entendeu que a Universidade tinha o direito de fazer sua seleção com o objetivo mais vago de criar uma &#8220;massa crítica&#8221; de minorias sub-representadas em suas salas de aula, em especial negros e hispânicos.</p>
<p>&#8220;O Supremo enfocou, mais que nada, a questão da diversidade na educação superior, na necessidade de ter um corpo estudantil diverso, que prepare os estudantes a trabalhar em um país cada vez mais diverso&#8221;, diz Wilcher.</p>
<p>&#8220;Até o meio deste século, metade de todos os americanos serão pessoas de cor, portanto a diversidade, para nós, é um tema nacional.&#8221;</p>
<p>Oposição<br />
Ao proferir a sentença, o Supremo disse acreditar que a decisão valeria por 25 anos – mas a verdade é que o tema nunca saiu de pauta, e a Corte deve voltar a ela muito mais cedo que esperado.</p>
<p>Em outubro próximo, os nove juízes vão ouvir o argumento que coloca no banco dos réus as ações afirmativas da Universidade do Texas.</p>
<p>Só que, hoje, a formação de magistrados dá uma maioria de cinco para os conservadores – o que para ativistas de direitos civis traz o risco de uma reversão das decisões da mesma corte oito anos atrás.</p>
<p>Intelectuais como o economista – negro &#8211; Thomas Sowell, da Universidade de Stanford, Califórnia, são frontalmente contra ações afirmativas. Em seu livro &#8220;Ações Afirmativas ao Redor do Mundo: Um Estudo Empírico&#8221;, Sowell argumenta que não há indicadores que apoiem o sucesso das políticas afirmativas.</p>
<p>&#8220;Alunos de minorias aceitos sob resultados reduzidos (1) não têm desempenho tão bom quanto os de outros estudos, (2) não chegam à graduação e (3) não têm desempenho tão bom em suas carreiras após terminar a universidade&#8221;, escreve. Ele não estava disponível para entrevistas.</p>
<p>O intelectual rejeita a teoria da &#8220;massa crítica&#8221;, utilizada pela Universidade de Michigan em 2003, segundo a qual só a multiplicação de estudantes provenientes de minorias (a massa crítica) os fará sentir mais à vontade no ambiente acadêmico, melhorando seu desempenho.</p>
<p>Para Sowell, a prova de que a teoria é &#8220;contraproducente&#8221; são as histórias de negros que, ao conquistar lugares antes só reservados aos brancos, são acusados de &#8220;se embranquecer&#8221;.</p>
<p>&#8220;As ações afirmativas nos EUA fizeram negros que saíram da pobreza por seus próprios esforços parecer que devem o seu reconhecimento a programas oficiais&#8221;, defende.</p>
<p>Representatividade<br />
Esta linha de pensamento ecoa em muitos Estados onde as universidades são proibidas de levar em conta aspectos de &#8220;raça&#8221; para admissão de estudantes, como a Califórnia e, desde 2006, Michigan.</p>
<p>Por causa da lei de 2006 em Michigan, a representatividade de negros caiu 51% entre 2005 e 2010 na Faculdade de Direito da Wayne State University, segundo a coalizão de defesa das ações afirmativas BAMN (&#8220;By Any Means Necessary&#8221;, ou Por Qualquer Meio Necessário).</p>
<p>Ao mesmo tempo, a representatividade de negros na Faculdade de Medicina caiu 55% no mesmo período.</p>
<p>Na Califórnia, onde as ações afirmativas foram banidas de vez após um referendo em 1996, a representatividade de negros e hispânicos caiu entre 1995 e 2000 nos campi mais prestigiosos, como Los Angeles e Berkeley, mas aumentou em unidades como Riverside e Santa Cruz.</p>
<p>Mas para Donna Stern, da coalizão BAMN, o aumento estatístico das minorias nas universidades californianas é insignificante, já que mais da metade dos alunos que terminam a escola secundária no Estado são hispânicos ou negros.</p>
<p>&#8220;Não é viável ter um sistema em que as melhores universidades são reservadas para os brancos&#8221;, diz a ativista.</p>
<p>&#8220;O ataque contra as ações afirmativas é uma tentativa da direita deste país de cimentar seu privilégio, porque eles sabem que, numericamente, estão a ponto de se tornar a minoria.&#8221;</p>
<p>{Pode ser que a legalização das &#8220;cotas&#8221; raciais pelo Supremo Tribunal Federal coloque a Constituição do Brasil em uma situação de ilegalidade. Talvez o Supremo possa anular o artigo 5.}</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1553</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vida, vidas.</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1548</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1548#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Apr 2012 18:18:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1548</guid>
		<description><![CDATA[Semana passa, o tempo passa, a memória guarda alguns momentos, a pele memoriza, a vida vai sendo vivida e sendo degustada, produzindo sabores, deixando lembranças. Uma passagem em um hospital para trocar carinho com a mãe, escutar algumas de suas memórias e conviver com o presente sempre prenho do futuro. Visita rápida para ver, através [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana passa, o tempo passa, a memória guarda alguns momentos, a pele memoriza, a vida vai sendo vivida e sendo degustada, produzindo sabores, deixando lembranças. Uma passagem em um hospital para trocar carinho com a mãe, escutar algumas de suas memórias e conviver com o presente sempre prenho do futuro. Visita rápida para ver, através de instrumentos modernos o que ocorre no útero da mulher/esposa e ver, pela primeira vez a mão do filho que vai nascer. O presente prenho do futuro. Uma passagem no templo, cantar canções, dizer palavras, refletir sobre o ritual do batismo da neta.  A vida em sua opulência humana em busca da perfeição.</p>
<p>Na vida o desejo de novas emoções à custa de emoções que já foram vividas doutra forma. Os filhos imaginam a alegria do pai em ver o autor de versos que ele canta ao longo da vida: I will tray with a little help from my friends. Duas gerações , três gerações ou muitas gerações sabem que o sucesso da vida é ter amigos, desses que não precisam de lambuzamentos de elogios ou vantagens para seus interesses. Por seus desejos vejo Paul e sei que devo deixar que a vida seja. Ter amigos, pode cantar sem temor de repressão, crescer na confiança, e carregando um caminhão de possibilidades de perdão e compreensão pelos descaminhos que possam acontecer. A vida é uma porção de encruzilhadas que obriga os humanos a fazerem escolhas.<br />
Seis décadas, seis anos, seis meses, seis dias, seis horas, seis minutos, seis segundos, todos esperando mais um momento para a compleição perfeita, diziam alguns, um a mais para completar a conta da mentira, dizem outros. E seis são apenas cinco mais um que pode receber uma quantidade infinita de números formadores de todas as vidas.</p>
<p>Esta semana, ao lado dessas reflexões, caminhou com as idas e vindas da política partidária em torno da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, com os políticos todos medrosos diante da constatação de que “CPI se sabe como começa e não como se termina”, um surpresa, pois assim é toda a vida humana. Ficam surpresos alguns por temerem que suas “sabedorias” venham a ser descobertas, dando-lhes a certeza de que foram bobos em acreditar que mantinham controle de tudo. Esse é o sonho de todos os fascistas, de todos os vocacionados ao totalitarismo. Como dizia o sábio carpinteiro Galileu, o que se diz às escondidas um dia será proclamado claramente. É provável que a CPIMista não tenha futuro, mas nós já sabemos que ocorreram comportamentos pouco recomendáveis em uma democracia, esse regime ruim, mas bem melhor que a ditadura que nos querem impingir, a ditadura da ignorância, pois alguns só entendem de sua sabedoria, a sabedoria que lhes aproveita, enquanto derramam palavras com falsidades que enchem cabeças e bolsos sempre vazios, ainda que a cada dia se ponham coisas ali. Mas é a vida em sua dialética, de lobos que agem na surdina, em conversas de quarto de hotéis e hospitais, e fotos silenciosas nos jornais.</p>
<p>Os lobos, como as raposas suas primas, sempre apostam na credulidade das ovelhas e das galinhas. Animais que estão sempre em busca de alimentos , com os olhos sempre voltados para o solo. Sem escolhas: assim é a vida das galinhas e dos carneiros, pastam para servir de repasto.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1548</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A liberação do visto americano para os brasileiros: o que diz a mídia e o que fala a realidade</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1546</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1546#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 10:30:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[civismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos da América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[Tradições brasileiras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1546</guid>
		<description><![CDATA[Nossa amiga Auxiliadora Lustosa nos pede que publiquemos o texto abaixo. Assim o faço, pois temos, neste espaço, condições de formular opiniões nem sempre aceitas nos meios tradicionais. Leiam e façam os questionamentos necessários para a compreensão mais ampla dos fatos. Obrigado. A liberação do visto americano para os brasileiros: o que diz a mídia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nossa amiga Auxiliadora Lustosa nos pede que publiquemos o texto abaixo. Assim o faço, pois temos, neste espaço, condições de formular opiniões nem sempre aceitas nos meios tradicionais. Leiam e façam os questionamentos necessários para a compreensão mais ampla dos fatos.<br />
Obrigado.</p>
<p>A liberação do visto americano para os brasileiros: o que diz a mídia e o que fala a realidade.</p>
<p>	Nestes últimos dias, tomamos conhecimento, pelos meios de comunicação, da visita da nossa Presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos, onde se noticiou amplas possibilidades de mudança de patamar nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos.<br />
	Foi muito comentada, também, em todo o país, a mudança de postura dos Estados Unidos em relação à concessão de vistos para brasileiros e, segundo noticiaram os jornais, foram processados 115.269 autorizações neste último mês.<br />
	Mas, pesquisando o assunto com mais cuidado, percebemos que os percentuais são bastante diferentes nas nossas regiões. O maior crescimento na emissão foi registrado no consulado do Rio de Janeiro, que processou 103% a mais que no ano passado, seguido pela embaixada em Brasília que concedeu 69% mais vistos em março deste ano, logo após, São Paulo que teve um aumento de 52% e, por último, o Recife que teve apenas 14%, embora receba pedidos de todo o Nordeste.<br />
	Esses dados já nos levam a considerar a possibilidade de preconceito contra os nordestinos.<br />
	Na verdade, enquanto se fala no fim do visto para brasileiros entrarem nos Estados Unidos, nesta semana, uma professora pernambucana, Sueli Roriz Menezes Pires, passou pelo maior constrangimento ao tentar, pela segunda vez, ter seu visto aprovado.<br />
	A referida professora tem uma filha que estuda nos Estados Unidos da América e lá se casou, no civil, com um jovem americano. No dia 3 de junho, será a celebração religiosa do casamento, e a família do noivo está organizando uma grande festa para que as famílias se conheçam e celebrem esse momento tão importante de suas vidas. Mas, a professora Sueli, que atua na rede pública do Estado de Pernambuco e trabalha na Escola Técnica Estadual Cícero Dias, em Recife, foi humilhada e não teve nem o direito de saber o porquê de tanta intransigência para que ela possa apenas participar da cerimônia de casamento de sua filha. Após apresentar toda documentação exigida, mostrar o vínculo empregatício no Brasil, escritura de casa própria em Pernambuco, declaração da escola onde trabalha, informando que a professora deveria retornar ao trabalho no dia 17 de junho, uma carta dos pais do noivo que se responsabilizavam pelo regresso da professora ao Brasil no dia 15 de junho, enfim, após apresentar inúmeros documentos, ela teve o visto negado.<br />
	Por outro lado, outros familiares que também irão à cerimônia religiosa desse casamento conseguiram com facilidade o visto, talvez por apresentarem uma renda maior, uma vez que trabalham no poder judiciário.<br />
	Mais uma vez, voltamos à questão do preconceito; ser nordestina, ser apenas uma professora e ter uma filha casada nos Estados Unidos são fatores que impossibilitam uma brasileira ir a esse país. Parece que o contra cheque de uma professora não anima nenhum cônsul americano, na sua insaciável sede por turistas consumistas.<br />
	E o mais grave, ainda, foi a maneira como a professora foi atendida. Sempre demonstrando desconfiança e insinuando que a professora pretendia ficar nos Estados Unidos, embora fossem dadas todas as informações necessárias de que jamais pretendia  abandonar o seu país, uma vez que tem aqui outro filho, uma grande família, um vínculo efetivo de emprego e todos os laços de amizade, eles insistiram nessa tese e, ao perguntar o porquê de tanta desconfiança, ela foi convidada a se retirar do consulado.<br />
	É muito triste sabermos desses fatos, pois o noticiário mostra uma coisa, mas a realidade é bem diferente.<br />
	As autoridades do Brasil e toda a nossa sociedade precisa tomar conhecimento desses fatos, para que possamos mudar a nossa postura em relação a esses países prepotentes e mostrar quem somos.<br />
	Esperamos que, um dia, brasileiros e brasileiras possam entrar e sair de qualquer país, sem passar por tanta humilhação e tantos constrangimentos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1546</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Anencéfalos</title>
		<link>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1543</link>
		<comments>http://www.biuvicente.com/blog/?p=1543#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 03:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Biu Vicente</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Aborto]]></category>
		<category><![CDATA[Anacefalia]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.biuvicente.com/blog/?p=1543</guid>
		<description><![CDATA[Para muitos, hoje foi um dia histórico. Os juízes do Supremo definiram que podem ser feitos procedimentos cirúrgicos, por solicitação da gestante, pra a retirada de um feto que tenha sido diagnosticado como anacéfalo, ou seja, sem cérebro. Ainda que o feto esteja vivo, este procedimento não será considerado aborto, sob o argumento de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para muitos, hoje foi um dia histórico. Os juízes do Supremo definiram que podem ser feitos procedimentos cirúrgicos, por solicitação da gestante, pra a retirada de um feto que tenha sido diagnosticado como anacéfalo, ou seja, sem cérebro. Ainda que o feto esteja vivo, este procedimento não será considerado aborto, sob o argumento de que manter a gestação será um sofrimento para a mãe. Para muitos, além de histórico, este vai ser um dia marcado pela vitória contra os que consideram tal procedimento como abortivo e que são contra o aborto. Foi dado um grande passo em direção da aprovação do aborto, uma grande vitória para as mulheres que passam a garantir mais uma vitória. Outros acharão esse dia histórico por ele significar um passo importante na direção de consagrar o direito daqueles que não foram abortados virem a abortar.</p>
<p>Uma das razões de virem a existir fetos anencefálicos é a não ingestão de alimentos que garantam um bom desenvolvimento. Ao lado dessa norma que permite o abortamento de fetos anacéfalos, o Supremo deveria indicar que fossem criadas condições para uma boa alimentação das gestantes e pré-gestantes, assim poderiam ser evitados os sofrimentos que se deseja evitar com essa decisão, acrescido do fato de que não se abriria aporta para a liberação de ações abortivas. Penso que nunca é demais pensar que a frouxidão moral, comportamental de nossa sociedade não é garantia de que não venha a se elastecer essa decisão do Supremo. Como os que tomaram essa decisão são portadores de cérebros, não são anacéfalos, ele possuem memória e devem saber que a “solução final” pensada por Hitler e seus  assessores pode ter sido uma culminância de algo iniciado com a liberação do aborto pela sociedade alemã, a primeira que descriminalizou a pratica do aborto. </p>
<p>É no cérebro que são guardadas as memórias dos acontecimentos vividos, e por isso é que nossa sociedade esquece rápido. Esquecemos rápido dos nomes que votamos para nos representar nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e senado; esquecemos das falcatruas de políticos e os re-elegemos; esquecemos que alguns não são condenados por serem “amigos do rei”. Ainda bem que todos temos cérebros e guardamos tudo na memória. </p>
<p>Que bom que nossa sociedade não é anencéfala ou anaestomacal. Ou talvez a sua memória não esteja nos cérebros,  esteja no estômago. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.biuvicente.com/blog/?feed=rss2&#038;p=1543</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

