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Entre o Tibre e o Capibaribe – 2ª ediçao

Caros amigos,
Nesta semana a Editora Universitária da UFPE, juntamente com a Editora da Associação Reviva colocam à disposição a segunda edição do livro ENTRE O TIBRE E O CAPIBARIBE: OS LIMITES DO PROGRESSISMO CATÓLICO NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE, que é um estudo sobre a Arquidiocese de Olinda e Recife a respeito do grau de adesão das ideias e práticas do chamado catolicismo progressistas e de suas impossibilidades. Esta segunda edição sofreu algumas modificações, com a introdução de pequenas novas informações, análises e dados.
O livro está sendo vendido a R$30.00 nas livrarias. Você pode adquirir seu exemplar na Editora Universitária ou em suas lojas, bem como solicitar através da Livraria Cultura. Se for o caso, pode entrar em contato no site da Editora Reviva – http://associacaoreviva.org.br/site/

Paulo e Vera e Carolina: amizade

Na metade da última década do século XX tive dificuldades de conseguir manter os empregos nos colégios onde lecionava e, pior ainda, nenhum colégio da Região Metropolitana do Recife aceitava-me como professor. Alguma coisa ou algumas pessoas articularam para que não conseguisse ganhar meu sustento por essas bandas. Assim, fui tentar viver no Rio de Janeiro, sem conhecer qualquer pessoa, sem levar qualquer referência e, melhor que tudo, sem ser conhecido e, portanto, tinha contra mim apenas o ‘preconceito’ contra mais um nordestino que chegava à cidade maravilhosa. Depois de dois meses consegui aprovação em dois concursos públicos na UNIRIO, mas sempre em segundo lugar. Entretanto, consegui contrato como professor substituto naquela universidade na disciplina História da Educação e, na Universidade Veiga de Almeida fui contratado para aulas em História Moderna. Nesses dois estabelecimentos tive a felicidade de conhecer Paulo Cavalcante e sua esposa Vera Borges, ambos são professores de História, e ela, além desse dom, também era saudável maratonista. Conheci outras pessoas, professores que trago em meu coração e alma. Na alma acarinhando belos momentos e, no coração que acelera sempre que penso nessa experiência que meus amigos do Recife forçaram-me a realizar.
Paulo e Vera são a minha referência melhor do Rio de Janeiro. Da varanda de sua casa assisti a chegada do ano 1995, além de receber as primeiras aulas que desvendaram para mim alguns segredos do computador e de como colocá-lo ao nosso serviço. Hoje está ocorrendo uma bela festa no Clube da Aeronáutica, celebrando o vigésimo quinto aniversário do casamento desses amigos e, também a felicidade de Paulo completar o seu primeiro meio século de vida exatamente quando o Rio de Janeiro está a festejar quatro séculos e meio de idade. Recebi pelo Correio um belo convite. Alegria tê-los sempre comigo.
O convite chegou quando Carolina se anunciava, saindo do ventre de Tâmisa para a gulodice de nossos olhos e nossas mãos em ver e tocar novo ser que nos traz e renova a fé na vida, a vida de que são portadores os amigos, esses anjos que nos acalmam sempre que pensamos neles, pois eles são a revelação do amor e da eternidade. Nenhum calmante faz mais efeito que o riso de um amigo e o afago de sua mão. Quando um amigo nos toca, ainda que em nossos pensamentos, julgo que devemos sentir a mesma sensação de estarmos seguros, como nos sentimos seguros nas mãos de nossos pais. Ficamos pequenos diante da grandeza da amizade. Nossos amigos são os pais que conquistamos ao longo da vida. Eles são poucos. Às vezes nos enganamos, mas um dia entendemos que tivemos a sorte de termos encontrado esses poucos que às vezes fazem pouco, mas nos enchem, nos completam, nos aliviam as dores e nos ensinam a recomeçar. Que Paulo e Vera vivam mais um século que eu os cultivo na minha alma. Assim como aceito com alegria imensa a minha mais nova neta, essa menina Carolina ou, como já disseram alguns, CaroLinda. Que ele tenha a felicidade de encontrar pessoas como Paulo Cavalcante e Vera Borges.

Explosões de vida

 

Esta semana tem sido uma explosão de vida, mesmo às vezes parecendo ser a explosão de “uma vida Severina”, como um dia explicou o poeta das palavras duras e suaves. Começou coma notícia de que companheiro de vida, sonhos, na luta contra a ditadura militar e na nossa construção permanente, a construção do povo brasileiro que é construído na medida em que nos construímos com ele e nele. Antônio Vieira foi nosso colega nas ações da Operação Esperança, no espaço urbano e, principalmente na área rural. Durante quase seis meses sofreu nos porões da ditadura e manteve a chama da liberdade, que ainda carrega no seu corpo, agora flácido pelo desgaste do tempo. Estive com ele na terça feira, 24 de fevereiro, o mesmo dia em que minha filha caçula vivia as dores do parto da vida de CAROLINA, que nasceu na madrugada. Seu nascimento lembrou poema que Dom Hélder Câmara costumava repetir, algo mais ou menos assim: quanto mais escura a noite mais promissora a madrugada. Assim foi a madrugada do 25 de fevereiro de 2015, com irrupção da vida de mais um ser humano, mais uma mulher na minha vida, continuadora de outras que me tocaram e cuidaram de mim, que fizeram de mim, algo ou alguém melhor do que eu seria se não as tivesse por perto.

E a vida, que se apresenta na alegria após as dores, das prisões, das separações, das esperas e dos partos, ela carrega outras dores. Como a de assistir pessoas animalizando-se, vestidos de vermelhos e com estrela de partido no peito, indo para a rua, liberando todos os desejos assassinos, a chutar, vários contra um, outro ser humano. O ato que se pode entender no animal em seu estado puro, na busca de uma presa para sua alimentação, parte da cadeia da vida, surpreende quando é realizado por animais que estão com estômago satisfeito. E quando a besta está vestida de filosofia, quase nos dá desânimo, especialmente porque essa besta quer apresentar-se como guardião da humanidade, construtor de um mundo novo. Vieira, eu e muitos outros experimentamos bestas semelhantes, mas é uma dor maior quando essa bestialidade é usada por quem se diz defensor dos direitos humanos. Como podem, seres que usam as patas, dianteiras e traseiras para impor seus argumentos dizerem que estão construindo um mundo novo. Estão, sim, indicando o retorno ao período anterior às conquistas que estamos realizando desde que inventamos o riso, as palavras, o aperto de mão e demos novos significados ao abraço, ao toque nos lábios, tudo isso que nos faz humanos.

A cada vez que a vida explode no seio de minha família mais próxima, vejo como uma aposta na humanidade, como o que Theilhard de Chardin dizia ser a Missa sobre o Mundo, um passo para a humanização do universo. Cada vez que uma mulher de minha família arrisca sua vida para criar outras, vejo um hino à vida e uma crença que somos e podemos ser melhores do que o espetáculo de barbárie que estão a nos oferecer seitas religiosas e políticas.

Um poeta que hoje, parece-me, silencia sobre a barbárie violenta que quer animalizar o povo brasileiro, um dia escreveu que o tempo passava e, Carolina na janela nada via: não via o tempo passar, não via a vida explodir, não via a dor estava nas ruas e nos rostos e nas almas, não via as estrelas que caíam. Hoje minha Carolina chegou com os olhos abertos e, espero que não seja simples anunciante do que os outros fazem, mas seja a poesia, como outro poeta escreveu: faz escuro, mas eu canto. Eu canto não o que passou, o que está passando ou vai passar, Eu canto que, se eu não posso – ninguém pode – ensinar a liberdade, eu canto a liberdade construída com Ângelo, Valéria, Tâmisa, Rafael, Lucas, Tereza, Isaac, Carolina e todos os ancestrais.

 

Esse povo quer biblioteca, não depósito de livros

Lembro ter conhecido Tracunhaém pelo livro de História do Brasil, escrito por Armando Souto Maior, publicado pela Editora Nacional e, que por muitos anos foi o livro texto nas escolas de todo o Brasil. Naquele livro soube da Liga de Tracunhaém, uma ação de senhores de engenhos contrários à emancipação do Recife. Não deu em nada, pois a traição levou os conspiradores para a prisão na Metrópole, o que também alterou pouco a sua situação social. Depois fiquei mais próximo de Tracunhaém quando organizei uma aula para futuras professoras, uma excursão ou, como se diz hoje, uma visita técnica. Fomos conhecer os ateliês, a arte cerâmica ali produzida. Como eram alunas de colégio afamado e que atendia – ainda atende – a classe de maior poder aquisitivo, a visita que seria de instrução quase virou uma viagem de compras. Serviu também para que as estudantes do pedagógico sentissem o aroma do vinhoto jogado nos rios e que auxiliou a tirar a vitalidade dos rios Tracunhaém e Siriji. No início do século XX Tracunhaém e as demais cidades da Mata Norte tornaram-se espaços para visitas quase permanentes, local de estudo e redescoberta, pessoal, da vitalidade cultural daquele povo que sobreviveu ao ‘cambão’, redescobri o local e a paisagem cultural de meus antepassados. Dessas viagens e estudos nasceram alguns livros, escrito, programas de rádio e novos conhecimentos que me foram dados pelos mestres da cultura popular, sendo Deca Emiliano, um dos fundadores do Bloco Carnavalesco Caravana Andaluza, um dos meus orientadores para compreender o universo cultural de minha parentela. Em uma dessas viagens fiz-me acompanhar de minha mãe.

Deca Emiliano e a Andaluza pediram-me para escrever um resumo do percurso vivido pelo Bloco Andaluza. Fiz algumas entrevistas, algumas fotos e aprendi muito e agucei a minha imaginação vendo os protagonistas de uma história que não comparece nos livros didáticos, embora seja ela a mais profunda história do Brasil. Na companhia de negros, mestiços fui conhecer os locais da vida de seus pais, avós, bisavós, encontro um Baobá, uma capela dedicada a São Bernardo em uma propriedade que teria sido de Brandônio ou Brandão.

Um dos objetivos do Andaluza é fazer uma biblioteca. Gosto muito quando gente que não tem livro em casa pensa em ter uma biblioteca na sua rua. Mas descubro, em uma casa, apertada por prédios que quase não a deixam respirar, na praça principal da cidade uma biblioteca. Aliás, as casas das cidades da Zona da Mata não podem respirar, estão uma colada a outra, sem janelas. O uso da terra para o plantio da cana deixa pouco espaço para os viventes Fotografo de fora, e entro para verificar que há uma sala com três mesas e oito cadeiras para leituras e estantes, apertadas contra as paredes, em um corredor que termina em outra sala com mais estantes e mais um quarto com mais estantes. Todas com livros, classificados de acordo com o interesse imediato, sem qualquer consideração às técnicas da organização das informações. Mas como tem obras interessantes! Obras completas de Machado de Assis, Jorge Amado,  Joaquim Nabuco, Eça de Queiroz, duas enciclopédias Delta e uma Britânica, literatura latino americana, Celso Furtado, e tantos outros. Cito de memória, não fiz anotações, mas lá está a História Geral da África.  A Biblioteca Rui Barbosa é responsabilidade da Secretaria de Educação do Município. Mas carece dar alguma informação e, talvez, educação aos dirigentes da educação desses municípios. é necessário que os espaços das escolas, das bibliotecas sejam agradáveis e convidativos e que os responsáveis pelas bibliotecas sejam mais informados e convencidos da sua importância social. Se os espaços que preservam e transmitem a cultura não são tratados com respeito e importância, as crianças, os jovens e adultos não os frequentarão.

Quase assim são as bibliotecas de Aliança, Nazaré da Mata, Goiana, Vicência; e creio que sejam, também, assim nas demais cidades da região. Os livros foram doados, em sua maioria, por pessoas, creio que, que precisavam liberar alguns espaços e, como os principais usuários dessas bibliotecas são alunos das escolas do município, eles lucram bastante pelas enciclopédias e obras clássicas da literatura e da história (há livros de Joaquim Nabuco e Capistrano de Abreu), mas ressentem de uma atualização de títulos. Carecem, também de mais espaços para leitura, para a guarda dos livros e para as novas atividades que se esperam das bibliotecas.

A situação das bibliotecas da Zona da Mata é uma demonstração dos males de uma sociedade com tão profundas raízes na escravidão, que continua escravizando por não facilitar que eles, os protagonistas da história, tenham acesso ao conhecimento.

Quase assim são as bibliotecas de Aliança, Nazaré da Mata, Goiana, Vicência; e creio que sejam, também, assim nas demais cidades da região. Os livros foram doados, em sua maioria, por pessoas, creio que, que precisavam liberar alguns espaços e, como os principais usuários dessas bibliotecas são alunos das escolas do município, eles lucram bastante pelas enciclopédias e obras clássicas da literatura e da história (há livros de Joaquim Nabuco e Capistrano de Abreu), mas ressentem de uma atualização de títulos. Carecem, também de mais espaços para leitura, para a guarda dos livros e para as novas atividades que se esperam das bibliotecas.

A situação das bibliotecas da Zona da Mata é uma demonstração dos males de uma sociedade com tão profundas raízes na escravidão, que continua escravizando por não facilitar que eles, os protagonistas da história, tenham acesso ao conhecimento.

 

Biu Vicente

Rumos: de junho de 13 a fevereiro de 15

Em tempo não muito distante, líamos nos jornais, víamos nos noticiosos televisivos e, em alguns casos, víamos, nas ruas, multidões de jovens protestando contra os abusos na política e da polícia, abuso no aumento das passagens de ônibus, na luta contra o capitalismo, etc. As ruas das principais capitais do Sudeste foram tomadas manifestantes e, eram de tal forma, que seminários foram celebrados, debates realizados nos canais de formação e informação para entender o desejo mudancista de uma geração que, segundo profundos sociólogos, filósofos, historiadores, e políticos profissionais, anunciava um novo tempo na vida brasileira. Estaria acontecendo o despertar do gigante que saia de hibernação, sarando-se da grande quantidade de entorpecentes que lhe estavam sendo ministrado de maneiras diversas na sociedade. As massas, diziam, estavam tão azedas que até discutiam se queriam o circo da Copa do Mundo da FIFA. O medo acendeu-se e espalhou-se como incêndio no serrado do Planalto Central do Brasil. As janelas do palácio assistiam, apavoradas, uma juventude quase destruindo um dos palácios pensados pelo arquiteto que planejava cidades para que as autoridade ficassem fora do alcance da fúria popular.

Entretanto, passado alguns meses, a juventude do gigante que parecia sair de sua longa sesta, foi sonolenta às urnas e manteve no poder os responsáveis pela situação contra a qual protestavam. Mais ainda, se olharmos com atenção, não encontraremos nenhum desses ‘líderes’ de junho de 2013’ entre os candidatos a política. Talvez, nem mesmo os partidos conseguiram novas filiações para suas fileiras. Ali não havia motivação política, mas, quase somos tentados a dizer hoje, indignação de alguns bolsos – uns parcos de moeda para suprir suas necessidades e outros que se encheram por estar na rua e promover fogaréus em determinadas cidades. Agora também continuamos a ouvir o ronco do gigante enquanto assistimos o desenrolar dos crime contra a Petrobrás, que começaram a ser descobertos em um lavajato onde se lavava dinheiro além de carros.

Hoje ouvi dois sociólogos, um deles Álvaro Moisés, dizerem que o governo de dilma está sem rumo; em seguida, historiadora publica que o Data folha deste domingo diz que a aprovação ao governo dilma supera 70%.   Há três hipóteses: a) os sociólogos estão sem rumo ou bússola, b) o não tem sociólogos em seu quadro de pesquisadores, c) o povo está sem rumo.

Severino Vicente da Silva

70 anos de Auschwitz e as escolhas da humanidade

 

70 anos do fim do pesadelo de Auschwitz , um pesadelo para os que ali viveram até à sua morte e, também pesadelo para os que sobreviveram.  Deste muitos viveram com a culpa de terem sobrevivido, esse sofrimento adicional por ter visto tão sofrimento e dor e, entretanto terem ouvido dos que morreram o pedido para que não deixasse que viesse a ser esquecido o que se vivia naquele local, símbolo do mais baixo índice de moralidade, de negação dos valores que a humanidade vem criando desde que superou o estágio animalesco de sua trajetória. A trajetória humana tem sido de superação da simples sobrevivência animal, estabelecendo normas de convivência, norma que permitiram a geração de religiões, filosofias ciências, tecnologias,  conversações, artes, modas etc.   Auschwitz foi, em nome da defesa de uma adulteração dos valores civilizatórios, o caminho do retorno à e da barbárie que julgávamos ter desaparecido. Os criadores de Auschwitz diziam quere purificar a sociedade, retirando dela aqueles que eles julgavam ser responsáveis pela miséria humana. Mentalidades doentias quiseram impor sua doença como sinal de sanidade e desumanizaram-se ao negar a humanidade de outros. O fim dos campos de concentração nazistas, lamentavelmente não significou o fim do nazismo, nem o desaparecimento dos campos de concentração e extermínio de parte da humanidade. Os que libertaram os sete mil sobreviventes de Auschwitz mantiveram os Gulags e criaram outros; havia campos de concentração em outras nações e, os atuais campos de refugiados de muitas guerras que atualmente estão em andamento no globo, atestam que aprendemos pouco do que aconteceu na Alemanha dominada pela insânia nazista. Quase vemos replicado aquilo que foi vencido. O medo do outro, a defesa de objetos e valores de grupos que se apresentam como representantes de alguma divindade ou seus arautos continuam a tentar destruir valores, enquanto dizem defender a humanidade. As guerras e as defesas da violência e da morte, física ou social de parte da humanidade indicam que aprendemos pouco com a vitória sobre a o projeto fascista do alemães magoados após a guerra de 14.

Conversando com amigo sobre o destino do Brasil, comentei entrevista que o irmão dominicano Frei Beto concedeu à revista Isto é. Nela, o frade que foi assessor de Lula no programa Fome Zero, hoje se diz um ING – indivíduo não governamental, mas lamenta que a presidente Dilma não tenha seguido o caminho de Evo Morales e que espera o retorno de Lula para governar o Brasil de 2018 a 2016. Eu duvidava da realização desse sonho escritor católico defensor da luta armada. Então meu amigo disse que “Lula não perde nem para Jesus Cristo”. Nós rimos e, então eu disse que Jesus Cristo, na política não ganha para ninguém em eleições. Lembrei a ele que Jesus perdeu no plebiscito proposto por Pôncio Pilatos. O povo preferiu Barrabás, aquele que optara pela violência e pela luta armada contra o Império Romano.

Tem gente que diz seguir Jesus, mas, por via das suas dúvidas, prefere votar em Barrabás. Este parece ser o dilema da civilização ocidental, construída sobre os ensinamentos de Jesus, mas com aderência dos seguidores de Barrabás, como se comprova no comportamento de outros religiosos cristãos: São Bernardo e São Domingos. O primeiro, renovador do espírito beneditino e incentivador das Cruzadas, o segundo, fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) e  organizador do Tribunal do Santo Ofício. Difícil é ser cristão oferecendo a outra face. Cede-se com facilidade à reação instintiva e, esquecemos os valores da convivência civilizacional. Mas história que tem ficado é a da conversação, do debate, mesmo que a violência e a agressão pareçam vencer momentaneamente.

A barbárie sempre teve seus doutos defensores e religiosos que, desde o Egito Antigo, passando pelas civilizações clássicas, tangenciando mongóis, mings, califas, papas, aitolás, sacerdotes astecas e tantos outros bebedores de sangue humano, e, entretanto, ela sempre é confrontada com os amantes da humanidade que, como dizia  T. Chardin, se eleva sobre o mundo.