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Uma visão sobre livros e bibliotecas desde a Antiguidade ao início da Idade Moderna

UMA VISÃO SOBRE LIVROS E BIBLIOTECAS DESDE A ANTIGUIDADE AO INÍCIO DA IDADE MODERNA
Prof. Dr. Severino Vicente da Silva
Departamento de História – UFPE

Reunimo-nos, neste espaço, por algum tempo, com o objetivo de pensar um pouco sobre o hábito de recolher informações, organizá-las e pô-las à serviço de muitas pessoas. São essas informações conhecimentos que o homem, socialmente, vem produzindo por sua observação e transmitindo de maneira aberta, quer dizer, informações organizadas, aptas para serem modificadas e aperfeiçoadas por quem interessar-se por elas.

CÉREBRO
Armado de um dispositivo complexo que lhe permite ver, sentir, tocar, cheirar saborear a natureza que o envolve, o homem dela se separa nesse processo de recolher informações, analisá-las e dar-lhes sentidos. O Cérebro humano mais que acumulador de informações físicas, tem a possibilidade de dar-lhes sentido. Assim, diferentemente dos demais animais, pode afastar-se do mundo natural e criar um novo mundo, o mundo cultural. E, se o corpo humano, como o s corpos dos demais seres vivos, carregam diversos espaços de acumulação de informações em suas células, o que lhe permite a vivência e sobrevivência, o cérebro humano ultrapassa esse patamar, além de acumular as informações criadas ao longo do processo de formação do planeta e dos seres que nele habitam. E na ultrapassagem desses limites, forma e faz crescer sua segunda natureza, a sua natureza cultural. O cérebro parece ser o local especial para acumular as experiências a que cada homem é exposto, mas não é apenas um lugar de guarda, mas um local de reorganização dessas experiências dentro de um sentido, utilizando as múltiplas possibilidades do cérebro, como a capacidade de planejar, assim guarda o conhecimento adquirido, não o usa de imediato, mas o agrupa para um uso posterior.
1. Nascemos com pouco saber, melhor nascemos sem saberes, somos neotênicos, Embora o cérebro de homem e de uma mulher adulta esteja entre 1200 e 1400 gramas, ao nascer ele tem apenas 300 gramas e não vem com muitas informações. O cérebro de um bebê está organizado apenas para dormir, chorar, comer. O cérebro é uma possibilidade e dependerá dos estímulos para que cresça suas potencialidades. Isto quer dizer que nós guardamos características embrionárias ao nascer, e continuamos a nascer após o nascimento, ficamos crianças muito tempo e brincamos, e quanto mais brincamos mais estimulamos o nosso cérebro, mais aprendemos e ampliamos o nosso suporte primeiro de conhecimento. E muito do que aprendemos pode ser esquecido e, então é necessário planejar o não esquecimento. Vem a necessidade de guardar o conhecimento já produzido. Assim é que os homens criaram e criam lugares onde podem guardar materialmente esse conhecimento que é do interesse do grupo. É esse interesse por guardar o conhecimento que interessa que levou à construção das bibliotecas.

2. A guarda dos conhecimentos exige o suporte, o recipiente que receberá o conhecimento codificado em alguma linguagem. Esses suportes têm mudado ao longo do tempo. Os suportes eram de início, mineral, usavam-se pedras, pequenos tijolos fabricados especialmente para essa função. Eram guardados para uso de algumas poucas pessoas e esse conhecimento assim posto, estava fora do alcance da maioria dos homens. Mas o conhecimento não era guardado para uso de toda sociedade, não era visado o uso público, a sua guarda visava mais proteger dos olhos dos estranhos e era muito difícil, quase impossível, entrar em contato com essas tábuas, ou tabletes. Apenas os iniciados tinham acesso a esses conhecimentos. O conhecimento sempre foi fonte do poder. Algo sagrado, que os deuses permitiam a alguns mortais. Durante séculos foram os sacerdotes das mais diversas culturas e civilizações os guardiães do saber e da arte de escrever.

3. Embora não tivessem criado os tabletes de argila para a escrita, os assírios montaram uma imensa biblioteca, da qual o Museu Britânico possui mais de 25.000 fragmentos. Foi Assurbanipal II que mandou organizar tal acervo, que tem sido apontado como a primeira biblioteca indexada. Entretanto, Nínive não foi a única cidade assíria a possuir esse equipamento que também foi instalado em Assur e Nippur. Fragmentos que hoje possuímos dessas bibliotecas ficaram soterradas desde a destruição do Império Assírio, ocorrida em 612 aC até 1845, quando foram encontrados por Sir Henry Layard.

4. Em seguida veio o papiro. Ainda guardando documentos apenas para alguns pequenos grupos, o suporte criado com argila foi superado por um suporte de origem vegetal, o Papiro, feito a partir das folhas de uma planta (papiro) que amassadas e postas a secar passavam a receber tinta negra, guardando traços ideográficos e hieróglifos.

Esses papiros eram guardados em forma de rolo e foram muito utilizados até a invenção do Pergaminho.

GRÉCIA e MUNDO HELENÍSTICO
5. Interessante lembrar a cultura grega foi, em sua maior parte, uma cultura oral e a Paidéia era transmitida oralmente pelos responsáveis pela educação do jovem, o que permitiu a permanência dos poemas homéricos até que fossem postos em escrita. Os debates na Ágora não eram registrados. Fala-se muito da biblioteca de Psístrato, tirano que governou Atenas por dezenove anos, a partir de 527 ac.. Foi nesse período que ele mandou construir uma biblioteca pública e fazer a compilação dos poemas de Homero. Mas, de maneira geral as bibliotecas gregas eram particulares e talvez por isso tenham pouco espaço nas pesquisas e na produção historiográfica.
Os volumes dessas bibliotecas particulares, aqueles que não foram destruídos, terminaram por fazer parte do acervo da Biblioteca de Alexandria.

PÉRGAMO

6. Uma das características da humanidade parece ser a sua constante insatisfação com o já criado e a consequência disso é a avalanche de inovações e novas criações vindas da constante reorganização dos conhecimentos acumulados. Ao mesmo tempo, a natureza física e a natureza cultural estão sempre impondo novos desafios aos grupos humanos, e é o enfretamento desses desafios que fazem a sociedade avançar, estabelecendo novos limites a serem superados. A necessidade de superar as necessidades geradas pelos desafios e questões novas. Assim ocorreu também como suporte das informações. Questões políticas levaram à invenção do Pergaminho, um suporte que veio a ser alternativa ao papiro.
O Pergaminho foi criado, ou inventado, na cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, região hoje conhecida como Turquia. À época que estamos nos referindo, a cidade tinha uma população estimada em 200.000 habitantes. Pérgamo se viu obrigada a abandonar o papiro como suporte, por conta de guerras que impediam a chegada do material necessário para a escrita dos documentos.

No século III aC. Os governantes de Pérgamo – Átamo I e seu filho Eumenes II, eram colecionadores de livros e pretendiam rivalizar com a famosa biblioteca de Alexandria. E mandou encontrar uma maneira de substituir a folha de papiro como suporte. Com essa invenção, o suporte da escrita passa a ser de origem animal, uma vez que o pergaminho era produzido a partir da pele de carneiro. Fala-se que esta biblioteca chegou a possuir cerca de duzentos mil pergaminhos. A cidade perdeu sua autonomia, primeiro para os gregos e, depois, para os romanos. A sucessão dos impérios e os sentimentos apaixonados marcam a evolução do conhecimento, seja para a sua guarda seja para a sua destruição. O Triúnviro romano Marco Antônio, que dividia o poder com Pompeu e Júlio César, apaixonado por Cleopatra, presenteou-lhe os livros da biblioteca de Pérgamo que foram levados para Alexandria. Teria sido a paixão amorosa que levou à destruição da biblioteca de Pérgamo, para o engrandecimento de sua rival.

ALEXANDRIA

7. Importante centro econômico na Antiguidade Clássica, a cidade de Alexandria tem sua fama mantida no tempo pela grandiosidade de sua biblioteca, cuja fundação deve remontar ao séc. III aC, sob o governo de Ptolomeu II. O objetivo de sua existência era a guarda do conhecimento que havia sido produzido pela experiência egípcia. Parece que inicialmente estaria focada no que foi invenção da experiência egípcia, mas veio a receber obras atenienses, e também foi enriquecida com obras das regiões mais ao Oriente, conquistadas por Alexandre da Macedônia.
Como temos poucos dos milhares de rolos de papiros que formavam seu acervo, é mais comum falarmos dos incêndios que marcaram a sua existência. Diz-se que Júlio César foi responsável por um dos incêndios, pois que, para evitar a fuga de um dos assassinos de Pompeu, mandou por fogo em todos os navios do Porto de Alexandria e, por destino, o fogo atingiu parte da biblioteca que ficava próximo ao porto. Mas a destruição final deve ter ocorrido quando o imperador Aureliano manteve guerra contra a rainha Zenóbia, no ano de 272. A mais famosa e popular história sobre a destruição da biblioteca de Alexandria é a que fala de um governante de religião muçulmana Amr Ibn al-As que a mandou destruir por ser desnecessária, uma vez que tudo que é digno de conhecimento já está posto no Alcorão e o que ali não estiver não vale ser conhecido. Correria o ano de 642.
Tudo indica que foi nessa biblioteca que os setenta sábios reuniram-se para definir o Cânon bíblico, que veio a ser a base da Bíblia oficial dos cristãos.

8. Ao longo de sua existência, a Biblioteca de Alexandria teve famosos responsáveis por ela, deles citamos Euclides (C 300), (considerado o Pai da Geometria; Aristarco de Samos (310 aC-230aC), astrólogo que primeiro fez estudos sobre os movimentos dos planetas em torno do sol; Calimaco (ca 305 -240 aC) que fez organizou o primeiro catálogo da biblioteca, marcando dessa forma o início do controle bibliográfico; Erastóstenes, que calculou a circunferência da terra; Galeno (129-217), que organizou o conhecimento médico e influenciou sua prática por centenas de anos; Hipátia , matemática e que sofreu a intransigência dos cristãos no século IV. Foi o último suspiro da filosofia pagã, até então estudada na academia.

ROMA
9. Influenciados pelos gregos, os romanos mantinham suas bibliotecas privadas, algumas formadas em espólio de guerra, como é o caso da de Paulo Emílio quem, após a conquista da Macedônia, tomou para si a biblioteca do rei Perseu e a deu a seus filhos. Cornélia, esposa de Júlio César mantinha um “salão de literatura aberto a tudo que a Grécia” contava, o que pressupõe a existência de livros que eram usados nas reuniões. Importante ressaltar aqui que foi iniciativa de Júlio César a criação de bibliotecas públicas, em Roma talvez, influenciado por sua experiência em Alexandria. Em todas essas bibliotecas, eram as obras gregas que forneciam a substância intelectual para os aristocratas romanos. Mas, quem realizou as pretensões de Júlio César é Asínio Pólio e Públio Terencio Varrão, ao construir a primeira biblioteca pública em Roma, no Atrium LIbertatis, local dedicado à crítica literária. Dois séculos depois, especialmente após o limite da expansão romana sob o império de Trajano, Adriano (76-138), da família Nerva-Antonina, criou o Athenaeum e o proveu de uma biblioteca atinente aos estudos do direito, filosofia, geografia, medicina, cálculo, geometria.

IGREJA CRISTÃ

10. Mais do que conquistar os homens simples com a sua mensagem, o cristianismo também seduziu aristocratas e “intelectuais” romanos que defenderam e explicaram a sua doutrina. Interessante notar que duas grandes cidades helenísticas – Alexandria, no Egito e Antióquia, na Ásia Menor tornaram-se centros de conhecimento e de especulação religiosa para os cristãos. Eram duas das três maiores cidades do Império e os cristãos ali se estabeleceram, com seus bispos e sábios (Clemente, Orígenes, Tertuliano, Cirilo, Cipriano em Alexandria; Gregório, o taumaturgo, Luciano.) tornando-se referência para a doutrina que se organizava. As Escolas Catequéticas pressupunham bibliotecas, espaços para o debate das ideias.
O cristianismo foi uma das religiões de mistério que seduziam os pobres de Roma no período da passagem da República para o Império. Diferentemente do Mitraísmo, e dos Mistérios de Isis, o cristianismo não ficou apenas nas cidades, mas logo passou a fazer proselitismo no campo, o que lhe garantiu vigor que fez, no século IV, Constantino abandonar o culto a Mitra e assumir uma das vertentes do cristianismo, o nestorianismo , embora fortalecesse a linha que veio a tornar-se a ortodoxia ocidental.

11. Ora, sendo o Cristianismo uma religião que se propaga pela palavra, e não apenas pelas palavras ditas, pela tradição oral, desde cedo entendeu que era necessário colocar em letras as verdades em que acredita, essa palavra há de ser escrita; e ela o foi desde o princípio. Assim temos as cartas de Paulo, de Pedro, as cartas e o Evangelho de João, o Evangelho de Mateus, o Evangelho de Lucas e o seu relato dos Atos dos Apóstolos, o Evangelho de Marcos, a carta de Tiago, a carta de Judas. Os livros escritos por esses homens e todo o Antigo Testamento foram posto em latim por Eusébio Jerônimo, ou simplesmente São Jerônimo (347 – 420). O livro garantiu a manutenção da ortodoxia e a força social do cristianismo.

12. Esses escritos foram definidos como básicos e canônicos. E tudo havia de ser guardado, conservado para ser transmitido fielmente. E assim foram estabelecidas escolas nos mosteiros desde a orientação de São Martinho de Tours, na Gália e de São Patrício, na Irlanda . Os monges com suas palavras e o livro, conquistaram a Europa, construindo mosteiros que se tornaram centros das comunidades aldeãs.

O MEDIEVO

13. O declínio das cidades romanas levou parte da população para o campo. Isso ocorreu também entre os nobres romanos convertidos ao cristianismo. Alguns desses recusavam a adesão ao barulho das cidades e a certo laxismo que tomava espaço nos ambientes cristãos. Nessa época já havia chegado à Itália, originária do norte da África, uma tendência de isolamento, de afastamento das coisas seculares. Antão ou Antônio viveu como anacoreta, dedicado ao estudo e ao aconselhamento. Seu exemplo cativou a muitos.

14. No século seguinte, o aristocrata romano convertido ao cristianismo, Bento de Núrsia com sua vida, inicialmente anacoreta e depois cenobita, e a Regra com a qual organizou a vida das comunidades que criara, abriu caminhos e as veredas para a formação do chamamos hoje de Europa. Os mosteiros que nasceram a partir de Monte Cassino, além de abrir espaços para a oração e para a organização do trabalho agrícola que alimentou os povos medievais, também realizaram trabalhos em seus escritórios de copistas e as bibliotecas dos mosteiros foram a guarda de muitos saberes. Em uma época de medo e terror pelas guerras entre os senhores ou invasões dos povos nórdicos, os mosteiros se tornaram espaços de tranquilidade e estudos. E o manuseio do livro era incentivado, como está escrito no capítulo 48 da sua regra:

“Depois da refeição, entreguem-se às suas leituras ou aos salmos. 14. Nos dias da Quaresma, porém, da manhã até o fim da hora terceira, entreguem-se às suas leituras, e até o fim da décima hora trabalhem no que lhes for designado. 15. Nesses dias de Quaresma, recebam todos respectivamente livros da biblioteca e leiam-nos pela ordem e por inteiro; 16. esses livros são distribuídos no início da Quaresma. 17. Antes de tudo, porém, designem-se um ou dois dos mais velhos, os quais circulem no mosteiro nas horas em que os irmãos se entregam à leitura.

15. Livros que são organizados nos escritórios e que são entregues aos monges para leitura. Incentivo à leitura, cuidado com o silêncio necessário à reflexão e aprendizagem. Assim forma-se e se molda o espírito europeu. Mais tarde, outra renovação ocorre com os beneditinos de Cluny (sec. X) que, ainda que mantivessem a tradição de trabalho, dedicam-se mais ao Opus Dei, na celebração da missa, agora com os monges recebendo a ordenação sacerdotal para que possam, eles mesmos, celebrarem os atos litúrgicos. Entretanto continuam com o trabalho de copiar livros para suas bibliotecas. Ora, Labora et legere, eis o lema formador.

16. Essas bibliotecas dos mosteiros, não apenas os beneditinos, mas os de outras ordens, como a de São Patrício, promoveram a formação de muitos monges eruditos, como é o caso de São Beda, o Venerável (672-735) autor de muitos livros e proclamado Doutor da Igreja. E quando o feudalismo como sistema começa a soçobrar e as cidades episcopais crescem, foram elas que deram continuidade aos estudos. As Escolas das catedrais, ou Episcopais, foram base para a formação das universidades, que nasceram sob o manto dos bispos e do papa. E novas ordens religiosas são criadas nas cidades, formadas pelos jovens sedentos de ação e de conhecimento, como é o caso dos Franciscanos, dos Dominicanos e outras.

17. Mas devemos olhar ainda para o mundo cristão oriental, que Bizâncio como centro. Bibliotecas particulares, pertencentes a imperadores e/ou nobres guardaram os textos gregos que foram de grande valia para fundamentar e auxiliar a refletir os anseios do europeu à vésperas e no Renascimento do início da Idade Moderna. A pressão dos Otomanos provocou uma migração de sábios que chegaram às cidades italianas com seus livros e sua erudição que em muito enriqueceram o conhecimento e a imaginação dos florentinos, genoveses, romanos. Além disso, trouxera novos alentos aos estudos universitários no momento em que o livro de papel estava sendo inaugurado. 1440 foi ano que deu início à sociedade gutembergiana.

18. Esses novos estudantes, vindos das muitas nações, unem-se para receber o conhecimento que transborda dos mosteiros e dos conventos e formam universidades. além das sebáceas que os acompanhavam, tinham, os mais ricos, seus próprios livros, mas os tinham os professores e a própria universidade que não pode existir sem esses livros.

19. O novo suporte de informações veio a facilitar o seu transporte, bem como a sua organização, tanto em grandes bibliotecas, como nas pequenas, essas coleções residenciais que começam a ser comuns. Assim, os que podem, criam espaço em casa para acomodar os volumes que adquirem. No século X VI o livro já era comum, o que nos demonstrado por pinturas da época.

20. Nos tempos modernos uma das ocupações é escrever e guardar livros, tê-los em casa ou nas constantes viagens que faziam. Se Dante escreveu a (Divina) Comédia tomando muito tempo e em casa, Erasmo escreveu O Elogio da Loucura enquanto viajava. Cresce o número de livros editados e muitos o podem ter em casa. Durante e após o Renascimento as novas construções para moradia reservavam espaço para a leitura e crescia o número de bibliotecas residenciais. As academias fizeram surgir uma República das Letras.

21. Em 1450, o papa Nicolau V determinou a organização dos livros dos papas anteriores e seus manuscritos, dando início à Biblioteca do Vaticano, a mais antiga das bibliotecas modernas. A biblioteca possui 8 300 incunábulo, 150 milhares de códices manuscritos, 100 milhares de gravuras, além de milhares de objetos artísticos e moedas.

22. Grande colecionador de livros Mazarino promoveu a criação da Academia Francesa, doando seus livros e animando homens e mulheres de seu tempo a cultivarem o prazer de ter, ler e debater as ideias postas nos0-´ livros, colocados à disposição dos interessados.

Bibliografia

BALARD, Michel e outros. A Idade Média no Ocidente: dos bárbaros ao Renascimento. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994.
BRONOWSKI, J. A escalada do Homem. São Paulo: Martins Fontes; Brasília: Editora Universitária de Brasília, 1979
GIORDANI, Mário Curtis. Roma. Petrópolis: Vozes, 1972.
SANTOS, José Machado. O processo evolutivo das Bibliotecas da Antiguidade ao Renascimento. Revista Brasileira de Biblioteca e Documentação. Volume 8, n. 2 , 2012.
TREVOR-ROPER, Hugh. A Formação da Europa Cristã. Lisboa: Editorial Verbo, s/d
TUCHMAN, Barbara W. The march of folly, from troy to Vietnam. Nova York: Ballantine Books, 1985.

13 de Maio – celebrar a liberdade

Amiga de longas datas, cuidadora das tradições que lhe chegaram pelo leite materno e pela carícia paterna, além daquela que a história cotidiana lhe pôs na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, fincada em uma colina menor, fora da cidade Duartina, mas no centro de um cultura relegada ao esquecimento e negada por revisores da história que, julgando encontrar luzes em corrente iluminista do século XIX, revigorada pela poeira que a queda de um muro levantou, pergunta: por que o esquecimento deste belo dia 13 de maio?

Pesquisadores das tradições do Recôncavo Baiano fizeram uma pergunta interessante. O que levou o mulato Dorival Caymmi escrever a bela e simples canção Maracangalha? Aquele lugar que as pessoas de dispunham a ir sem Anália, mas de chapéu palha e uniforme branco? Que evocações estão nessas palavras que tanto sucesso fizeram e garantiram fama a esse baiano brasileiro?
Maracangalha é, hoje, um distrito da cidade de São Sebastião de Passé e, parece, ali havia uma fazenda onde, desde 1888 havia um grande festa no dia 13 de maio, e esta festa ficou na tradição e, quando Dorival Caymmi nasceu em 1914, e na sua juventude ouvia falar nesse lugar maravilhoso onde ex escravos e seus filhos dançavam em louvor à liberdade. E muitos de nós ainda sonhamos com esse lugar tão bonito, Maracangalha, lugar de nossos antepassados. Mas vieram os novos tempos e as novas interpretações históricas, novas escolhas e, como coadunar a tradição de gente tão simples com as complexas equações iluministas da luta de classes? E como manter essa tradição se se deseja que todos sejam Zumbi, guerreiros sem jamais imaginar que seja possível além da equação “matar ou morrer”? Assim, desde algum tempo luta-se para esquecer o Rosário dos Pretos, as Irmandades de São Benedito, as Irmandades de São Cristóvão, Luiz Gama, José do Patrocínio, Cruz de Rebouças, Marcílio Dias, Antônio Faustino, Henrique Dias, e tantos outros, negando a bravura desses nossos antepassados e sua bravura, definindo o acontecimento de 13 de maio de 1888 como sendo um “golpe dos brancos”. Mas ela foi mais que isso, foi uma luta de homens e mulheres negros livres, que compraram sua liberdade, que auxiliaram outros a serem livres, unidos a homens e mulheres brancos comprometidos com a vitória da humanidade contra a barbárie. Como nos lembra José Murilo de Carvalho:
“A batalha da abolição, como perceberam alguns abolicionistas, era uma batalha nacional. Esta batalha continua hoje e é tarefa da nação. A luta dos negros, as vítimas mais diretas da escravidão, pela plenitude da cidadania, deve ser vista como parte desta luta maior. Hoje, como no século XIX, não há possibilidade de fugir para fora do sistema. Não há quilombo possível, nem mesmo cultural. A luta é de todos e é dentro do monstro.”

SALVE 13 DE MAIO

Biu Vicente em Homenagem à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Olinda.

Fertilidade, chuvas e modernidade rarefeita

O mês de maio tem recebido muitos significados ao longo do tempo, representando muitos sonhos primaveris. Assim tem sido lembrado pelos que vivem no hemisfério norte da terra, costume que foi seguido pelos grupos humanos que foram afetados pela expansão da civilização europeia. Assim é que, para lembrar a fertilidade da terra festivais eram realizados e deram origem às grandes religiões, coisa séria que, apesar do ar festivo, o Maio era o momento de celebrar núpcias e dar início ao processo de renovação da vida.

No Recife e no litoral pernambucano, o mês de maio parece ser um momento especial para as grandes chuvas, ao menos a cada trinta anos. No passado, quando os pântanos ocupavam as várzeas do Rio Capibaribe, era coisa sem maior importância, pois as águas do rio também traziam o enriquecimento do solo para a agricultura. Mas ao final do século XX, após o processo que transformou áreas de agricultura em áreas residenciais, as chuvas de maio trazem graves problemas. Em 1975, a enchente do Capibaribe e as chuvas tornaram explícito que o processo de urbanização não considerou o espaço para o rio, da mesma forma que lembrou a necessidade de cuidar melhor da parte da população que foi levada a morar nos morros. Daquela chuva de três dias surgiram novos bairros na cidade que foi se aproximando de Jaboatão. Situação semelhante, dez anos antes, fez nascer a Operação Esperança, liderada por Dom Hélder Câmara para animar a solidariedade dos mais pobres e com os mais pobres. Era uma tradução prática do sonho do Irmão Roger, de Taizé. Além disso, para cuidar dos homens, os governantes da época tomaram a decisão de domar o rio e cuidaram de construir uma barragem. Mas o cuidado com os homens foi menor, e neste ano de 2015, sem a enchente, as chuvas mostraram que a cidade não se organizou culturalmente para a nova sociedade, e os hábitos rurais da população que foi escorraçada para a expansão da agricultura, permanecem na cidade. Educados para viver de forma quase natural, a população – pobre ou rica – do Recife e suas vizinhas, não se habituou, ou não aprendeu, as novas exigências da guarda dos resíduos que produz, pois, nesta nova sociedade, eles não são absorvidos naturalmente.

E maio vai sendo marcado pelas invasões das águas sobre as ruas e as casas, pois foi próximo aos rios e a antigos riachos que novos conjuntos habitacionais foram construídos sem considerar a natureza. Esse fenômeno pode ser encontrado em quase todas as capitais brasileiras que, desejando muito serem reconhecidas como modernas, fazem rápido curso de Atualização Histórica, como ensinou Darcy Ribeiro, e vivem uma modernidade superficial, uma modernidade de consumo, mas sem entender o que e porque consome tanto. Maio, que era o mês da fertilidade, agora vai se tornando o mês do temor das chuvas. Mas essa situação vale apenas para os que cultivam a memória, como os festivais antigamente faziam.

No mais, é como canta o poeta quase moderno: “deixa a vida me levar, vida leva …”
E esse desleixo vale também para outra parte da vida política, como comprova o comportamento de um deputado, crescido nas férteis áreas da corrupção da Ilha do Maranhão. Mas isso é outra história.

Dom Hélder, João Paulo II e o Trabalho Humano

Aproveito a semana para colocar aqui uma crônica de Dom Hélder Câmara, recentemente posta no livro Meus Queridos Amigos, publicado pela CEPE. O livro é uma coletânea de 200 do Dom no seu programa UM OLHAR SOBRE A CIDADE.

Meus queridos amigos

O Santo Padre Joao Paulo II havia preparado a sua Encíclica sobre o trabalho humano, para ser publicada no dia 15 de maio próximo passado, comemorando 90 anos da Rerum Novarum34 de Leao XIII.

Dada a permanência dele no hospital, o querido João de Deus guardou sua Carta para a Festa da Exaltação da Santa Cruz, no dia 14 de setembro passado, terceiro do seu pontificado. O jeito é ler a Carta do Santo Padre. O trabalho sai altamente dignificado da Laborem Exercens 35 e mais ainda o homem, que a Encíclica prova que é sempre o sujeito do trabalho.

Reparem como, a partir da noção de trabalho, a Encíclica prova que raízes materialistas não são privilégios do comunismo, pois o capitalismo cai também no materialismo. É urgente ler e reler o que diz o Papa sobre o direito de propriedade: “A tradição cristã nunca defendeu o direito de propriedade como algo absoluto e intocável.

Pelo contrário, sempre o entendeu no contexto mais vasto do direito comum de todos utilizarem os bens da criação inteira: o direito de propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum, subordinado a destinação universal dos bens”.

Mais adiante diz a Encíclica: “Continua sendo inaceitável a posição do capitalismo rígido, que defende o direito exclusivo da propriedade privada dos meios de produção, comum dogma intocável na vida econômica. O princípio do respeito ao trabalho exige que tal direito seja submetido a uma revisão construtiva, tanto em teoria como na prática.”

Procurem o que relembra a Encíclica sobre trabalho e capital, sobre a necessidade da reordenação e novo ajustamento das atuais estruturas, sobre a Comissão de Justiça e Paz, sobre guerra nuclear, sobre a chaga do desemprego e a responsabilidade do governo no tocante a desempregados, sobre sindicatos, sobre direito de greve, sobre o trabalho agrícola e a reforma agrária, sobre multinacionais…

É tão bom, tão importante, tão agradável ouvir o Papa provar que a Igreja confia no homem, que o trabalho foi feito para o homem e não o homem para o trabalho, sobre a verdadeira promoção da mulher e a missão materna exclusiva da mulher… É empolgante ver a Encíclica provar como o problema que outrora era problema de classe, hoje adquiriu dimensões de problema de mundos…

Claro que a Encíclica não esquece a espiritualidade do trabalho.

Lida e meditada com calma, sem paixão, como se ouvíssemos o nosso Joao do Deus em sua passagem inesquecível pelo Brasil, a Encíclica pode fazer um grande bem às pequenas comunidades e ao governo, aos trabalhadores, aos professores, aos jovens, a católicos, e não católicos, cristãos e não cristãos, crentes e descrentes.

Deus seja louvado!

Sexta-feira, 2.10.1981

Semana de aniversários

Este site completa sete anos neste mês. Esta semana tem início o meu 67º ano de vida. Para celebrar as duas efemérides, coletei as minhas intervenções na comunidade do Facebook, um pouco para verificar se disse muitas bobagens e coisas sem conexão. tudo foi escrito ente o dia 15 e o dia 22 de abril.

1. Desejo começar este novo dia agradecendo a todas as pessoas que dedicaram alguns momentos para abraçar-me e dizer o quanto podemos manter laços às distância; agradeço aos que me ajudaram a celebrar o tempo que já passou, o dia em que lembro minha entrada na vida e, também a continuar a viver na alegria e na esperança todos os dias que me restam (espero que sejam muitos) para viver e melhorar a vida. Obrigado a todos.
2. Todos nós estamos chocados com a fotografia do Brasil. Descobrimos a nós mesmos, ao verificar em cadeia nacional o verdadeiro resultado das eleições de outubro de 2014. Não sabíamos o que havia sido eleito, a maioria dos brasileiros que votou displicentemente pode verificar o conjunto da obra. Juízes e ré foram eleitos pelo mesmo povo. Nós devíamos é estar assustados não com esse ou aquele deputado (cada um deles representa uma parte dos eleitores/cidadãos), deveríamos é estar assustados com o nosso descuidado com o que é nosso. Fôssemos mais atentos, não entregaríamos o país a esse tipo de gente. Mas, a fotografia não mente. Veremos, nos próximos dias, o andar de distanciamento do PT em relação à dilma, seguindo o script lido por José Dirceu, alguns empresários ex-amigos e agora completamente desconhecidos. O PT chamará a militância que foi sonambolizada nas centenas de CC, para salvar o partido. dilma, que foi figurante, pode ser descartada. Vão tentar salvar o partido e o projeto de Lula. Pode ser que eu me engane, já me enganei com alguns seguidores dessa seita.
3. “Estou sendo golpista? Para alguns sim. Para quem sabe do meu caráter, não. Não tergiverso com minha honestidade e não vendo minha alma ao diabo na forma de pedidos, favores e dinheiro. Meu nariz está limpo porque jamais ajoelhei para lamber um traseiro ou solicitei um empenho. Quando, um dia, me perguntaram “O que você quer?”, disse sem tremer: “Nada!”” Roberto DaMatta.
4. Conversar com pessoas de mentalidade religiosa é difícil porque eles cegaram e mutilaram os ouvidos . Não estão abertos para além de seus dogmas. (…) Não pensei estar falando de dogmas, uma quase exigência dos grupos que encontraram a verdade e articularam em sentenças que servem de paradigmas para os crentes; referia-me a ‘mentalidade religiosa’ que alguns grupos assumiram na sua luta contra as demais mentalidades religiosas ou não. Certos grupos sociais elevaram os seus projetos sociais à condição de dogmas, verdades eternas e incontestáveis, e, nós sabemos, os projetos realizadas na sociedade podem ser conjunturais, adaptáveis e adaptados à circunstâncias. E com esse tipo de gente que está impossível conversar.
5. Como está ficando meio doido, lá vou eu: penso que esta aventura em Nova Iorque, a ser realizada pela presidente dilma, se propondo a dizer que está havendo um golpe (golpe no gerúndio é lasca!) no Brasil para, em seguida voltar ao Brasil e receber a presidência de volta das mãos do ‘golpista” , é uma encenação, um pedido de intervenção do Mercosul, igual àquele que ela e a moça da Argentina arquitetaram contra o Paraguai. Se for isso, mostra mais uma vez que a guerrilheira que queria implantar uma ditadura de esquerda para substituir uma ditadura de direita, continua sem saber fazer análise da conjuntura. E então fica no ridículo. e nós pagamos a conta da crise econômica, da crise ética, da crise moral além das viagens luxuosas, dignas dos ditadores mais loucos.
6. A maioria das pessoas esquece rápido, mas tem gente de memória, como o Senador Cristóvão Buarque, criador do Bolsa Escola, programa muito criticado pelo PT por ser assistencialista. Entretanto o recebimento da Bolsa Escola estava condicionado a presença das crianças na escola. FHC adotou o programa, com o mesmo nome em seu governo e quem o administrava era o Ministério da Educação. Quando o PT tomou posse do governo (pensou ter tomado posse do Brasil) esqueceu suas críticas , adotou o programa com o nome de Bolsa Família, retirando-o do ME, transferindo para A Assistência Social. Cristóvão que foi Ministro da Educação, foi demitido por telefone e desde então o Bolsa Família é um sucesso de votação, mas a educação não tem avançado, especialmente a educação básica e média. Hoje temos mais universidades, mas o nível médio não é tão alvissareiro.

7. Há sociólogos que nos ensinam estar, tudo ao redor, liquefazendo-se; os artefatos técnicos são rapidamente ultrapassados em sua utilidade e desenhos, cedem lugar aos novos. Não mudam, não cedem e parecem cada vez mais sólidos os líderes partidários, veementemente defendidos por jovens adoradores que caminham rapidamente para o passado dos seus líderes.

8. Pensadores que desejam impedir que sejam ouvidos os que pensam.

9. Comece a pensar na próxima eleição. Não vote em vereador que recebe apoio e apoia deputado e senador envolvido em corrupção, que esteja sob investigação. Agora é cuidar disso para ver se melhoramos isso que vimos hoje. Seria o mesmo se o resultado fosse outro. Um povo faminto e iletrado, sem educação e sem possibilidades de debates, que para recrear tem apenas as igrejas e os bares está fadado ao fracasso ou ao sucesso aparente.

O professor e sua janela virtual cheia de vazio

Da janela da casa uma pessoa pode ver a vida passar, lentamente como os passos de um velho que parece desejar alongar o momento do fim da caminhada; fugaz como o jovem motociclista, sempre atrasado para um encontro que em algum momento chegará ou como o sonolento passeio de ônibus do comerciário, pedreiro, estudante ou enfermeira, demorando em angustiantes paradas para receber mais alguns enquanto vomita outros. Tudo e todos se movem menos a janela e quem na janela está.

Vez por outra o olhar desvia-se para outras janelas, essas que são abertas para lugares inatingíveis, pois nem mesmo se sabe para onde se está olhando. A pequena tela do computador abre-se ao quase infinito, em uma estrada que leva a casas e caras conhecidas e estranhas. Estranha-se o que se vê e o que se lê. Algo chama atenção, um estranhamento maior. Estranha-se que um educador, professor de gerações de novos professores, coloque à disposição de olhares curiosos e sedentos que virão, notícias do tempo passado como se de hoje fosse. O que leva uma pessoa que se propõe a dar as últimas pinceladas na formação de jovens a falsificar o tempo?

Ao abrir minha janela deparei com o recado desse professor. Encontrei esse recado que me falava de percentuais, números representativos da querença a respeito de certa autoridade, números que demonstram uma adesão a essa pessoa e à sua obra. Mas, os números referem ao tempo que passou, foi um momento já vivido e superado. Não é o momento atual, mas ele não informa aos seus leitores que é de um tempo passado. E esse educador apaixonado, não consegue admitir como foi fugaz a ação que lhe provocou a paixão, recusa-se a aceitar a mudança. É notório o direito que cada um tem de se auto enganar. Algum psicólogo poderia auxiliar a entender essa negação da realidade como possibilidade de sobrevivência pessoal, esse distúrbio pode ser tratado pelo uso de medicamento ou análise. Mas, nos dois casos há que se ter aquiescência do possível deslocado e deslocador da realidade.

Um professor pode ser um catalisador de novas realidades descobertas para aquele que se entrega aos seus cuidados; pode ser indutor de uma caminhada em busca do saber, da sabedoria, da verdade. De certa maneira é assim que se pensa um professor. Mas a janela que vi hoje pela manhã, a janela que esse professor abriu para que eu e todos que passassem em sua avenida virtual pudéssemos aprender de seu saber, permitiu-me ver uma pessoa que está induzindo ao erro, ao erro ao qual ele se agarrou. Como professor ele sabe que a maioria das pessoas não buscam as razões de sua presença no mundo; como professor ele sabe que sua função social é auxiliar aqueles que o procuram a aproximar-se da verdade, e quando ele nega a informação correta ou induz à uma compreensão falsa da realidade, levando os que conversam com ele ao erro, ele comete um crime contra a humanidade.

Da minha janela fico angustiado ao ver, pela janela desse professor, o oco que ficou sua existência ao perceber que suas crenças careciam de realidade e, em lugar de enfrentar esse problema resolveu cultivar seu vazio oferecendo informações verdadeiras no passado, como sendo atuais. E faz isso conscientemente. Não informando que os dados apresentados referem ao passado, ele optou pela mentira como forma de vida e, ao ensinar essas mentiras, comete um crime contra a humanidade.