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Estudo da História e as manifestações populares

Estamos na época de grandes mobilizações. Há uma disputa para demonstrar poder ou descontentamento com o poder. Para muitos é como se fosse a primeira vez, ou a segunda, quiçá a terceira, situação em que a população se manifesta. Esses acreditam que tais manifestações são sinais de que “o gigante despertou” ou de que “a direita conservadora” está a aproveitar-se dessa situação para voltar à cena política. Tudo isso é provável, mas essas manifestações não são o início da participação das multidões na história brasileira.
Fenômeno muito interessante, que tenho acompanhado nos espaços da sociedade virtual que frequento, é a quantidade de intervenções indicando ou mandando as pessoas estudarem história por estarem elas manifestando a sua opinião. Um dos motivos desse chamamento ao estudo da história é o fato de muitos, uma expressiva minoria, estarem a clamar por um retorno dos militares ao poder. Esse chamamento ao estudo dá a impressão de que quem estuda história não adere ditaduras, o que é falso, se olharmos os currículos dos apoiadores das ditaduras ao longo da história. Muitos são os ditadores, autocratas e caudillhos que estudaram história. Saber história não é antídoto às plutocracias, aos regimes autoritários. No Brasil os ditadores sempre contaram com o apoio de estudiosos da história nacional. A questão parece ser outra, talvez não seja simplesmente estudar história, mas o que estudar e como estudar.

Por conta desse convite/ordem para estudar história, em algumas aulas fiz um pequeno exercício de memória e conhecimento básico da história pátria em algumas turmas que leciono. Perguntei sobre o que ocorreu no Brasil acontecimentos em um certo 7 de abril; perguntei sobre Felipe dos Santos; perguntei sobre a Noite das Garrafadas; perguntei sobre Manuel Faustino dos Santos e João de Deus; perguntei sobre Cipriano Barata; perguntei sobre Marcílio Dias. O retorno foi igual a zero. Claro que, os estudiosos de história logo dirão que essas são perguntas focadas em indivíduos e que a história é mais que a atuação de indivíduos, o que é uma objeção correta, mas é certo também que os processos ocorrem com a atuação de indivíduos e as multidões reúnem dezenas, centenas ou milhares de indivíduos.

Mas voltando às perguntas e às respostas obtidas em salas de aulas de um curso superior de história, o que quer dizer que todos os perguntados fizeram o Ensino Básico, cursaram o Ensino Médio, foram aprovados no vestibular e, portando espera-se que saibam um pouco da história da pátria pois este é o objetivo dos ensinos Básico e Médio.
1. O de abril era comemorado como o momento da independência, pois, em 1831, sob pressão de manifestação popular, o primeiro imperador do Brasil descobriu-se sem condições de continuar no poder e renunciou em favor de seu filho menor de 10 anos;
2. Felipe dos Santos organizou manifestação contra os abusos portugueses personificados no Conde de Assumar, em Minas gerais, 1720, sendo morto por esquartejamento;
3. A Noite das Garrafadas foi um levante popular no Rio de Janeiro contra a imposição de um gabinete formado por portugueses para governar o Brasil;
4. Manuel Faustino (18 anos de idade) e João de Deus foram enforcados e esquartejados, sem direito à sepultura, em Salvador pelo crime de organizarem a Primeira Revolta Social do Brasil, a conhecida Revolta dos Alfaiates;
5. Cipriano Barata, estudante que, na Bahia participou dos preparativos da Revolta dos Alfaiates, expulso para Pernambuco, participou da Revolução de 1817;
6. Marcílio Dias, jovem marinheiro negro que participou da Guerra da Tríplice Aliança e defendeu, com bravura heroica, o vaso em que servia, de tal sorte que é considerado um dos heróis brasileiros.

Creio que poderia continuar a fazer perguntas sobre os que, com seu sangue e destemor, criaram a pátria brasileira, e possivelmente o índice de acertos seria basicamente o mesmo. E esse índice mostra que as pessoas não estudaram a a história do Brasil, não sabem que homens jovens construíram o país que vivemos. E por não saberem disso, não perceberam, ou o ensino não os auxiliou a perceber que, por trás de cada nome que citei houve um movimento com ampla participação do povo. E não sabem porque os professores continuam a ensinar que Dom Pedro I simplesmente abdicou, (aliás, durante alguns anos, em algumas cidades do Brasil a independência era comemorada no dia 7 de abril, quando deixamos de ser governados por um português); não mostram a importância da participação do povo no processo e não participaram das decisões que se seguiram ao processo. Isso é fazer o jogo dos poderosos. Não adianta mandar estudar história, se quem manda não percebe que a participação popular sempre existiu na nossa história, apenas continuamos sem lhes dar a importância que merecem. E mais recentemente, ao invés de estudarmos esses movimentos, vamos esquartejando essa história, aprofundando o estudo das partes sem termos ciência de que essas partes – mulheres, índios, negros, mestiços: mamelucos, morenos, curibocas, mulatos, cafusos, etc. – formam o todo. As manifestações populares continuaram a ocorrer ao longo do século XX, como foi estudado por José Murilo de Andrade. Mas além dele, quando se estuda a participação popular tem sido para enaltecer este ou aquele partido como condutor do povo, tratando-o sempre como ingênuo e carente de um ‘pai’ que tudo lhe provêm, inclusive a sua consciência, que parece dever ser a consciência que lhes dá esse ou aquele partido ou agrupamento politico, seja da esquerda ou da direita.

Ocorreram greves operárias no Nordeste no início do século XX, mas elas não entram na análise dos que definem a ‘história’ do Brasil, por delas somos ignorantes; a primeira greve contra o regime autoritário que terminou em 1985 continua sendo ensinada que ocorreu em São Bernardo dos Campos, ‘esquecendo’ que, meses antes dela já haviam ocorrido greves de motoristas, professores e canavieiros, em Pernambuco. Mas estudando certa história, ninguém saberá que o povo manifestou-se antes da criação de certa agremiação. O esquecimento da história! A lembrança dos historiadores e dos doutrinadores.

É uma questão de estudar história, mas ….

Feliz Páscoa

Quinta Feira Santa, dia da mais famosa refeição realizada no Ocidente e lembrada no mundo que foi organizado sob a égide dessa ceia carregada de simbolismo e proposta de sociedade. O simples acontecimento da ceia já é envolto de significado. Na véspera os seguidores de Jesus foram enviados a procurar um lugar para a ceia. E eles foram procurar o lugar, assim sem entender direito como se daria a refeição em uma casa que, aparentemente, eles nem mesmo conheciam. Mas eles conheciam quem os havia enviado e, talvez com pequenas dúvidas, mas sabendo que a orientação dada tinha um sentido ainda não compreendido, não revelado. Entretanto a confiança que depositavam naquele que direcionava a ação não supunha a ideia de não realizar a tarefa. Confiança, parece ser o primeiro significado daquela quinta feira.

A Ceia deveria ser realizada pois assim determinava a tradição daqueles homens, pois era a refeição que lembrava importante acontecimento do povo, um acontecimento fundador, a passagem do tempo sem identidade, sem estima, sem esperança, sem futuro para a confirmação de um povo, para a aceitação provada do querer bem a si, para um período de confiança a ser realizada e uma perspectiva de existência e criatividade. Mas a ceia deveria ser realizada não apenas porque lembrava e celebrava o que foi vivido por aqueles homens e seus antepassados, mas deveria ser celebrada por conta de que eles se tornariam, ainda que não soubessem, novos homens e formadores de novo povo.

Deve ter tido outros alimentos, mas o que ficou na nova tradição foi o tradicional Pão e Vinho, o trabalho e a alegria, a força e a celebração. O cotidiano transformado. E a transformação vem acompanhada no gesto do serviço, da ação de lavar o corpo para a nova jornada, não uma sucessão de poderes, mas uma continuidade de cuidado com o outro. O lavar os pés dos convidados, cuidar dos pés que andaram e andarão levando o corpo que carrega a mensagem do servir. E há a partilha, a divisão da comida e da bebida, para que todos fiquem satisfeitos e alimentados.

Foi por conta dessa Ceia que, ainda buscam explicar os modos, que veio a se formar uma nova maneira de viver que, continuando outras maneiras, tornou-se identitária de um grupo, uma parte da humanidade. Os seguidores da Ceia, da partilha do Pão e do Vinho, foram decisivos para a formação de um modo de viver a humanidade. De suas crenças e experiências, divididas e ajuntadas a outras experiências humanas criaram uma civilização que vem se renovando permanentemente, criando e recriado valores e direitos, encaminhando-se para a construção de uma humanidade. É este um processo doloroso, pois outros grupos humanos, em outros lugares da terra, também criaram a sua tradição de humanidade e seu desejo de unidade. E todos esses desejos de unidade carregam a limitação de querer-se único e perfeito, daí a dificuldade de superar a negação do outro, o desejo de apressar o fim. E o pão pode tornar-se raro e o vinho perder o sabor, tornar-se vinagre.

A Ceia que é uma das bases da civilização europeia tem, em sua sequência, os momentos de reflexão, de traições, de fugas, de mortes, de recuperações. Sempre há os que continuam a cultivar a força do pão e o sabor do vinho. É disso que tratam a Sexta Feira e o Sábado, também dias fundadores da civilização europeia.

Nossa sociedade quer negar que ela nasceu desses momentos celebrados de maneiras diferentes pelos muitos grupos cristãos, contudo ela sabe que a negação do fato não implica a sua não existência.

Feliz Páscoa.

Elite ou malta

O mês de março vai passando de surpresa em surpresa. As águas e magoas desfilaram nas ruas de muitas cidades do país na esperança que ouvidos deixassem de ser de mercadores ou de mercadantes e, seriamente entendessem o que estava a se dizer. Foram muitos os recados, mas como dizia famoso teatrólogo, cada um vê e entende o que deseja: assim é se assim lhe parece. Pois bem, houve quem simplificasse todas as vozes à um desabafo contra a corrupção que está borbulhando e saindo pelos buracos que os ratos costumam fazer nas fossas. E tudo foi resumido em corrupção.

Se o problema é a corrupção, logo vem o receituário: nada se pode fazer pois a corrupção é “uma velha senhora” que vive no Brasil a muito tempo, “ela não perdoa ninguém”, não há como derrotá-la, pois parece fazer parte do DNA da sociedade. A pessoa que disse tal asneira não poderia ser mais honesta. Talvez mais explícita e dizer: ‘os brasileiros são todos corruptos, assim temos que conviver com isso” e, seguindo a lógica de salão de manicure, se todos os brasileiros são corruptos, a pessoa que disse assim, apesar de ser brasileira de primeira geração, é também corrupta, e está assumindo-se como tal. Comportando-se como os Donos do Poder para colocar-se acima de todos, a todos chama pelo que ela é. Ora, quem disse tal asneira, desrespeitando os brasileiros trabalhadores, é uma senhora que faz parte da “elite, branca, de olhos verdes”. E, todos nós sabemos que a corrupção moral não faz parte do DNA de nenhum povo, que a corrupção moral é construída pelo exemplo que a vida da elite social oferece aos demais sócios.

Para convencer os brasileiros a aceitarem a sua bobagem, ela vem lembrar que lutou pela democracia. Lá em Nova Descoberta, onde cresci, nós sempre achamos horrorosa esse tipo de pessoa que faz algo e depois fica passando na cara da gente que fez. É gente que enxerga o mundo olhando para o seu umbigo. Ora, precisamos entender que nem todos que lutaram contra a ditadura estavam desejando construir uma democracia, alguns estavam querendo colocar outro tipo de ditadura. Hoje à tarde estive com Antonio Vieira, um homem de setenta e dois anos, que está doente, que foi prisioneiro da ditadura, que comeu o pão que o diabo deu a ele, mas que, após o fim da ditadura continuou lutando no meio rural e jamais foi pedir a ‘bolsa ditadura’, não saiu por aí, como fazem alguns, dizendo: “eu fiz isso, eu fiz aquilo, sou coragem e fiz isso por vocês”, passando na cara o sofrimento que passou, posando para história. Ah! essa gente mesquinha diminui, pensando que cresce ao diminuir os outros, fazendo deles seus devedores. Não devemos nada a ninguém, cada um senhor de suas opções.

Esses acontecimentos levaram-me a pensar que fizeram nos acostumar a entender que ser da elite é ter acumulado riqueza material, contas bancárias, casas imponentes, apartamentos de cobertura nas principais praias do país e, viajar constantemente ao exterior e voltar carregados bregueços e bugigangas com o objetivo de expor-se e seduzir os adoradores de materialidades. Mas isso, esse conjunto de coisas não é a elite, é a estupidez humana enriquecida e abestada. É quase uma malta. Uma elite é o grupo de membros da sociedade que é capaz de auxiliá-la a definir seus objetivos e de organizá-la para alcançar o maior bem estar moral, o enriquecimento intelectual e material da nação. Assim, essas pessoas que, em situação de mando e comando, induzem à sociedade ao desespero ao afirmar que nada pode ser mudado para melhorar e que ela deve adequar-se à miséria moral que corrompe, não apenas a economia das empresas, mas alma das gerações.

Talvez seja o tempo de criarmos uma elite, nos tornando nós mesmos. Esses que se apresentaram para orientar o Brasil, mas que sucumbiram ao canto das sereias, eles não possuem a coragem de Ulisses, nem desejam a felicidade que Prometeu arrancou dos deuses, não para si, mas para fazer os humanos livres das idiossincrasias das divindades. Se desejamos ser livres devemos rever o tipo de elite que nos querem impor e, não seremos liderados por quem acaricia ditadores e tolera o mal por preguiça de lutar contra ele ou por ter já optado por ele.

Os idos de março

A cada ano, o mês de março apresenta-se para ser vivido com as suas particularidades, suas lembranças históricas, a eterna referência aos idos que assistiram ao assassinato de Júlio César, avisado que o destino lhe reservara a morte pela ação de seu filho. Nada surpreende aos deuses, pois eles pareciam estar presente organizando a pauta humana, enquanto simulava lhes dar a liberdade de ação, desde que os tributos fossem pagos em forma de sacrifícios e honra, subtraída dos próprios homens, conforme está escrito nos profetas judeus, tão bem analisados por Eric Fromm.

E nos idos desse março, quando ocorre a curva do tempo, duas grandes manifestações estão sendo organizadas e, dizem, tomarão conta dos espaços públicos das principais cidades. A primeira delas, no dia 13 é de apoio e protesto: apoio ao atual governo e protesto contra medidas desse mesmo governo; de apoio à Petrobrás, após alguns dos que auxiliaram a enfraquecer a companhia saem em sua defesa, como a esconder-se na cortina das palavras. Escolheu-se o dia 13, parece, por ser o número que protege o partido político que está recebendo e fazendo protesto a ele mesmo. Pode ser, também, uma involuntária lembrança de famoso comício de 1964.

A segunda manifestação está marcada para o dia 15 e, tem como objetivo protestar contra o governo atual, demonstrar a insatisfação pelos rumos que tem sido tomado pelos que atualmente governam o Brasil, e essas reclamações poderiam ser resumidas assim: 1) Contra a corrupção: restaurar a moralidade nos negócios públicos;2) Contra o Estado extorsivo: menos impostos, mais liberdades econômicas;3) Contra todos os privilégios: políticos são cidadãos como quaisquer outros;4) Contra a censura: todas as comunicações são livres, sem controle do Estado;5) Contra todas as ditaduras: o Brasil defende a democracia e os direitos humanos.

O março deste ano comemora muitos os aniversários, e aqui, lembro de alguns aniversários, desses que estão mais próximos de mim, como o da Revolução Pernambucana de 1817, das cidades de Olinda e Recife, de alguns sobrinhos (Demiam, Andréa) de minha filha Tâmisa, e, na memória, de meu pai João Vicente, de meu irmão José Vicente. Festas de aniversários de nossos conhecidos ou amigos são momentos para avaliação das nossas relações, se elas frutificaram, se os frutos foram colhidos ou foram abandonados para serem corroídos pelo tempo. Assim, neles são feitas manifestações e elas, hoje quase obrigatórias, podem esconder as mais puras e verdadeiras emoções.

A respeito do aniversário das cidades vizinhas, mãe Olinda e filha rebelde, Recife, sempre temos, como outras cidades, o corte de bolo, um palco, algumas apresentações artísticas. Os discursos quando os há, relembram sempre o momento fundador, como se uma cidade fosse fundada apenas uma vez, como se cada geração não as refundassem a cada dia, dando novas formas e novos sentidos à cidade. Da mesma forma, parece que assim fazemos nos nossos aniversários, pois a cada ano vemos aumentar ou diminuir o número daqueles que nos honram com sua lembrança ou são honrados por lembrar.

Entretanto, sempre devemos estar atentos aos idos de março, eles nos lembram os limites do poderoso Júlio César.

Entre o Tibre e o Capibaribe – 2ª ediçao

Caros amigos,
Nesta semana a Editora Universitária da UFPE, juntamente com a Editora da Associação Reviva colocam à disposição a segunda edição do livro ENTRE O TIBRE E O CAPIBARIBE: OS LIMITES DO PROGRESSISMO CATÓLICO NA ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE, que é um estudo sobre a Arquidiocese de Olinda e Recife a respeito do grau de adesão das ideias e práticas do chamado catolicismo progressistas e de suas impossibilidades. Esta segunda edição sofreu algumas modificações, com a introdução de pequenas novas informações, análises e dados.
O livro está sendo vendido a R$30.00 nas livrarias. Você pode adquirir seu exemplar na Editora Universitária ou em suas lojas, bem como solicitar através da Livraria Cultura. Se for o caso, pode entrar em contato no site da Editora Reviva – http://associacaoreviva.org.br/site/

Paulo e Vera e Carolina: amizade

Na metade da última década do século XX tive dificuldades de conseguir manter os empregos nos colégios onde lecionava e, pior ainda, nenhum colégio da Região Metropolitana do Recife aceitava-me como professor. Alguma coisa ou algumas pessoas articularam para que não conseguisse ganhar meu sustento por essas bandas. Assim, fui tentar viver no Rio de Janeiro, sem conhecer qualquer pessoa, sem levar qualquer referência e, melhor que tudo, sem ser conhecido e, portanto, tinha contra mim apenas o ‘preconceito’ contra mais um nordestino que chegava à cidade maravilhosa. Depois de dois meses consegui aprovação em dois concursos públicos na UNIRIO, mas sempre em segundo lugar. Entretanto, consegui contrato como professor substituto naquela universidade na disciplina História da Educação e, na Universidade Veiga de Almeida fui contratado para aulas em História Moderna. Nesses dois estabelecimentos tive a felicidade de conhecer Paulo Cavalcante e sua esposa Vera Borges, ambos são professores de História, e ela, além desse dom, também era saudável maratonista. Conheci outras pessoas, professores que trago em meu coração e alma. Na alma acarinhando belos momentos e, no coração que acelera sempre que penso nessa experiência que meus amigos do Recife forçaram-me a realizar.
Paulo e Vera são a minha referência melhor do Rio de Janeiro. Da varanda de sua casa assisti a chegada do ano 1995, além de receber as primeiras aulas que desvendaram para mim alguns segredos do computador e de como colocá-lo ao nosso serviço. Hoje está ocorrendo uma bela festa no Clube da Aeronáutica, celebrando o vigésimo quinto aniversário do casamento desses amigos e, também a felicidade de Paulo completar o seu primeiro meio século de vida exatamente quando o Rio de Janeiro está a festejar quatro séculos e meio de idade. Recebi pelo Correio um belo convite. Alegria tê-los sempre comigo.
O convite chegou quando Carolina se anunciava, saindo do ventre de Tâmisa para a gulodice de nossos olhos e nossas mãos em ver e tocar novo ser que nos traz e renova a fé na vida, a vida de que são portadores os amigos, esses anjos que nos acalmam sempre que pensamos neles, pois eles são a revelação do amor e da eternidade. Nenhum calmante faz mais efeito que o riso de um amigo e o afago de sua mão. Quando um amigo nos toca, ainda que em nossos pensamentos, julgo que devemos sentir a mesma sensação de estarmos seguros, como nos sentimos seguros nas mãos de nossos pais. Ficamos pequenos diante da grandeza da amizade. Nossos amigos são os pais que conquistamos ao longo da vida. Eles são poucos. Às vezes nos enganamos, mas um dia entendemos que tivemos a sorte de termos encontrado esses poucos que às vezes fazem pouco, mas nos enchem, nos completam, nos aliviam as dores e nos ensinam a recomeçar. Que Paulo e Vera vivam mais um século que eu os cultivo na minha alma. Assim como aceito com alegria imensa a minha mais nova neta, essa menina Carolina ou, como já disseram alguns, CaroLinda. Que ele tenha a felicidade de encontrar pessoas como Paulo Cavalcante e Vera Borges.