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Domingos, paraísos e esperanças

Os domingos são dias especiais, pois os guardamos para nós e para os que amamos. Por isso tanta gente vai às Igrejas (templos, centros, terreiros), encontrar aqueles que cultivam o mesmo amor. Uma reunião em uma igreja é uma reunião de amantes em torno do amor que cura a tudo, pois todas as dores sossegam na presença do amado. Semelhante é o que ocorre nos clubes e nos piqueniques, pois nesses lugares e momentos também se celebra o amor, a amizade. Nos piqueniques quase sempre a comida é trazida, juntada e dividida. Entretanto, em todos esses lugares, vez por outra a amizade é esquecida ou, por desgraça, alguém que não ama faz-se presente e, pode vir a tristeza, a mágoa, o sofrimento, a morte. Domingos também são dias nos quais muitas tristezas são cultivadas, mesmo nos mais belos jardins.
A mitologia judaico-cristã faz a experiência humana ter seu início em um Jardim onde tudo está posto para ser degustado sem esforços excepcionais. Até mesmo a ideia da morte não está presente, pois o presente daquele jardim pode ser eterno, exceto se houver alguma mudança na rotina. E ela aconteceu. Alguém quis mais do que lhe era oferecido e a ordem foi rompida. Mesmo no mais perfeito paraíso ocorreu a desarmonia que provocou muito sofrimento e o fechamento daquele condomínio feliz. A felicidade ininterrupta não foi de agrado daquela família que estava feliz enquanto estava fechada em si mesmo e a procura de novas experiências rompeu o equilíbrio. O mito judaico-cristão continua com a enumeração do que é próprio da humanidade na sua eterna busca de felicidade: trabalho, sofrimento, nascimentos, mortes e a esperança de que em meio a tudo isso uma dia serão felizes porque virá uma mulher que esmagará a cabeça do mal.

Mas, enquanto esse momento não vem, temos uma matança quase infinita em mundo que, para muitos, está em paz, pois eles criaram seus paraísos pessoais, trancaram-se em seus condomínios de luxo e não percebem que tomaram para si o que podia ser de muitos e, por conta disso, levantaram altos muros que os separam dos demais. Só conseguem fazer piqueniques protegidos pelas altas paredes ou na distância dos outros seres humanos. Julgam estar no paraíso, no mais perfeito dos jardins, mas, cultivam a serpente que quer sempre mais, pois se a eternidade prometida ao primeiro casal não satisfez porque lhes faltava o conhecimento, o conhecimento que conquistaram não lhes garante nem mesmo a tranquilidade atrás de seus muros. Agora eles possuem um falso conhecimento – não sabem, não percebem não sentem que o que ocorre aquém dos muros é a falsa felicidade. Fosse a verdadeira, não careceriam de muros, de guardas, de armas, para viverem.

As manhãs de domingo podem servir para pensar se estamos indo ao piquenique da vida com esperança e desejo de encontrar outros piqueniques no grande parque, ou com o desejo escondido de comer mais maçã para o deleite individual, sem considerar que o que é produzido coletivamente é para ser degustado coletivamente. Todos os seres se unem para criar o jardim e ele só existe se todos participarem de suas delícias.

Parece que o Jardim mitológico foi rompido, não pelo ato sexual, que é o momento da entrega e troca suprema entre duas pessoas que se amam, se penetram para prosseguir vivendo; mas foi rompido por quererem ter mais para si, negando-se a dividir o saber, a dividir a vida, escolhendo acumular cada vez mais, ainda que saibam que o Jardim será perdido para todos.

Os piqueniques, as celebrações dominicais estão sempre a lembrar que a alegria e a felicidade são decorrentes da divisão, da distribuição e fruição coletiva do que tem sido criado pela família humana.

Bom Domingo.

Bambina, a Senhora do terreiro

Uma das minhas cachorras morreu enquanto eu estava fora. Bambina, assim a denominou Isa Trigo, professora da Universidade Estadual da Bahia em uma de suas passagens por nossa casa, deixou as suas companheiras, Mocinha e Bonita tristes. A morte, a separação é sentida por todos os seres, embora não o percebamos ou nos esforcemos a negar nossos sentimentos e o dos outros. Minhas cachorras estão tristes. Elas perderam a companhia de brincadeiras, a vira lata que fazia mais barulho e que era a Senhora do terreiro.

Bambina chegou em nossa casa nas primeiras semanas de sua vida; chegou nos braços de Afonso que, feliz, disse ter comprado uma pastora, e que era um presente para Tâmisa que, naqueles dias começava a sua jornada rumo ao mestrado na Universidade de Santa Catarina. A pastora era raciada e os gens plebeus, os famosos VLB, sobrepujaram a aristocracia alemã. E Bambina ficou acompanhou o crescimento da família, a chegada dos filhos dos meus filhos e do meu caçula. Só recentemente é que Lucas e Tereza criaram intimidade com Bambina e suas amigas. E se tornaram amigos na fase idosa da Senhora do Terreiro, que já não estava com a disposição infantil para brincar. Já estava em despedida, e parecia saber disso. Quando vinha para meu colo, já não apresentava a alegria tradicional, mas deixava-se acariciar dolente e lambia minhas mãos melancolicamente. A idade lhe pesava, bem como a doença. Quando viajei para os três dias de férias, conversei com ela, que ficou de cabeça baixa. Despedia-se. Ao retornar notei que ela não veio ao nosso encontro e as suas amigas não mostraram entusiasmo. Pensei que ela estivesse em sua casinha. Marcos, que coloca a comida delas quase todas as manhãs é que veio com a notícia e relato do acontecido, lamentando a “morte da pobrezinha”.

O mês de agosto ficou triste no quintal sem as brincadeiras e os ruídos de Bambina, e mesmo a labrador Bonita, tem corrido menos com o peso da saudade.

Zeferino Rocha, meu mestre

E certas notícias chegam um dia. É infalível que saberemos da morte de alguém, de algum conhecido a cada dia, especialmente se já foi rompida a faixa dos sessenta. São notícias que sabemos de sua chegada, mas que nos surpreendem e envolvem de tristeza, nostalgia. O boletim informativo da universidade tem sido o mensageiro de algumas dessas notícias envolvendo colegas que já estão aposentando ou aposentados. A notícia que li hoje levou-me ao início da década de sessenta, ela me diz que no dia 31 de julho morreu o Professos Zeferino de Jesus Barbosa Rocha.

Quando conheci Zeferino Rocha. Eu tinha dez anos de idade, pensava em ser padre, e ele era o padre Reitor do Seminário Menor da Imaculada Conceição da Várzea. O Jovem padre gostava de Futebol, jogava com os alunos mais velhos, da Terceira, aqueles que estavam a caminho da filosofia e da teologia. Tenho na memória alguns momentos dessas excursões futebolísticas de Zeferino. No dia do padre, primeiro domingo de Agosto, festa de São João Vianey, era um desses dias especiais, quando ocorria o confronto entre os padres e os seminaristas. O time dos padres recebia alguns professores leigos e um ou outro seminarista para compor o time. Zeferino sempre jogava no ataque e sempre teve que enfrentar quem era, para mim, o menor do seminário, um gigante que chamávamos de Pingo.

Zeferino me apresentou a música romântica do século XIX. Duas tardes por semana ele reunia alguns de nós para ir até à sala da reitoria e nos ensinava a apreciar a música, conversava sobre os compositores, suas vidas e o sentidos dos movimentos sonoros. Às vezes lia-se alguma poesia. Anos depois esta experiência serviu-me para introduzir a disciplina Educação Artística, no curso médio do Colégio São Luiz, tentando imitá-lo.

Jamais tive ‘aula’ com Zeferino, mas aprendi muito com ele. Aprendi que devemos aceitar a morte, mas também rebelar-se com ela. Essa lição foi decorrente da morte inesperada de um dos meus colegas, o seminarista Roque, da diocese de Pesqueira, que foi alcançado por um tubarão na praia de Boa Viagem, onde fomos a um domingo de recreio, na casa de retiro dos padres jesuítas. Foi em 1962. Os lamentos de Zeferino e a sua discussão com Deus ainda ecoam na minha memória, como ecoaram na capela, exigindo que o corpo de Roque fosse devolvido para ser entregue à família, o que só veio a ocorrer na quarta feira. Aquela tarde, aquela oração jamais esqueci. Sim não sei das palavras, mas da emoção que sua alma sentia e me toca até hoje. No ano seguinte Zeferino já não era mais o Reitor. Zeferino parecia ter sumido de minha vida. Soube que havia deixado o presbiterato, e que se tornara psiquiatra, professor da UFPE e de outras universidades, entre elas a René Descartes (Paris V).

Meus contatos com Zildo, seu irmão, informavam-me no que era a minha curiosidade. Ele aposentou-se no mesmo ano que entrei na Universidade Federal de Pernambuco. Mas encontrei-me com ele lendo a Paixão e Amor de Abelardo e Heloísa, um belo livro, e também as Cartas desses amantes, traduzidas e comentadas por ele. Durante os quatro semestres que lecionei Idade Média, esses livros constavam da bibliografia. Quando Paula de Renor e Carlos Carvalho encenaram adaptaram seu livro para o teatro, fui convidado a conversar com o elenco sobre o século XII, pude finalmente falar com meu mestre Zeferino Rocha, agora já amparado em uma bengala, mas sempre pesquisando e escrevendo sobre o Amor e a Paixão, essa dupla geradora de conflitos e vida.

Nessas palavras desejo expressar minha gratidão, e até mesmo amor, ao padre, ao escritor e ao professor Zeferino Rocha.

Brasília Teimosa e Normandia: Uma Ekédi e um padre os une

No dia 26 de julho deste ano de 2016 ocorreram muitas mortes matadas, como se dizia em alguns lugares, ou homicídios, assassinatos, como se diz em outras. Duas chamaram a minha atenção, sendo que uma delas chamou a atenção do mundo todo e a imprensa de muitos países a noticiara; outra, foi, apenas, uma notícia local. Uma ocorrida no interior de uma igreja católica em cidade francesa, outra em bairro da cidade do Recife; uma foi a morte de um homem, outra a morte de uma mulher. Ambos eram septuagenários e ambos dedicados à religião.

Inesperadamente dois homens que não costumavam frequentar a igreja de Santo Estevão de Ruvray, (Sait-Etiene-du-Ruvray) na região a Normandia, entraram e fizeram reféns aos que ali estavam em oração. Uma das pessoas conseguiu fugir e chamar a polícia, mas os homens mataram o padre Jacques Hamel. Foi um crime que se quer político, que quer ser feito em nome de uma religião contra outra. Talvez seja.

Tanto os criminosos que cortaram a garganta do padre como alguns conhecidos meus e outros que não conheço não irão gostar do ‘talvez’ desta frase. Os assassinos têm certeza dos seus atos e querem que o medo aterrorize os amigos do padre Jacques Hamel, que os amigos de padre se escondam e abandonem suas certezas pois, isso será a a vitória do chamado estado islâmico, que se apegou à parte mais obscura do Islamismo e a que impor a todas as pessoas. Os sectários aceitam apenas a escolha que fizeram, são Narcisos. Entre os amigos do padre Jacques Hemel também há os que pensam sectariamente e desejam que em nome de suas crenças, a liberdade de sair a matar quem não pensa do se modo. Mas é sempre bom lembrar que os antepassados da fé do padre Jacques Hamel conseguiram sobreviver sendo mortos, como Estevão, o Santo que nomeia o templo onde ele foi assassinado. Somente alguns séculos após o assassinato o martírio de Estevão é que pensaram ser bons cristãos começaram a matar para expandir a sua fé. Cometem o mesmo erro dos assassinos do padre Jacques Hamel.

Menos famoso ficou o assassinato da Ekédi Maria José Quirino, assassinada em sua casa no Bairro de Brasília Teimosa. Não se sabe quem ou porque assassinou Maria José Quirino que, no seu terreiro, ajudava os que têm seus corpos usados pelos Encantados que visitam a terra. Essa a função da Ekédi, um trabalho de consolação e apoio. A palavra yorubá significa ‘mãe de todos. Sua morte pode ter sido por abuso sexual, uma vez que foi encontrada despida e esfaqueada em sua casa. Este foi o trigésimo assassinato de idoso em Pernambuco este ano. A fragilidade daqueles que, após uma vida de trabalho e doação parece ser o espaço encontrado para que covardes, em pleno vigor físico, exponham sua adesão à morte.
Maria José Quirino não estava no exercício de sua função sacerdotal quando foi morta por arma branca, como o padre Jacques Hamel. Entretanto, esses dois idosos sacerdotes, morreram como resultado da falência de nossas civilizações por não terem, ainda, assumido plenamente o respeito à vida, e muitos escondem o ódio no nome de alguma religião.

Que Santo Estevão, Proto-Mártir do cristianismo, acolha esses sacerdotes sacrificados pelo ódio à vida.

Nossa violência diária, nosso fracasso civilizacional

Esses dias de julho têm sido atribulados. A vida corre e sua seiva é de sangue, mas a ideia básica da civilização é o controle do sangue derramado. A cultura e a civilização são essa organização da vida, esse cuidado para se evitar o derramamento desnecessário da seiva que mantém o homem. Todos os dias lemos sobre algum ato terrorista, esse que é realizado para matar qualquer pessoas com o simples intuito de manter um clima de medo e tensão. Mas há outros sangramentos.

Desde o século XVI que a civilização europeia vem construindo maneiras de controlar essa violência, procurando inibir comportamentos que coloquem em risco a vida social. Parte desse esforço foi a retirada das armas das mãos da gente comum, centralizando a violência no Estado. As penas foram sendo ‘humanizadas’ e nos últimos trezentos anos a pena de morte vem sendo posta de lado. Assim foram sendo criados lugares onde guardar por algum tempo os que estavam com problemas de adaptação na vida social. Cáceres passaram a ter função de readaptadores sociais. É isso que se espera das prisões neste início do século XX. Mas é isso que não se observa no sistema prisional brasileiro, como vem atestando as muitas rebeliões nesses lugares que, lembra o historiador da Casa de Detenção do Recife, Flávio de Sá Neto, são como sepulturas de homens vivos. A violência das ruas vem sendo combatidas desde que foram proibidos os duelos de honra, pois eles subtraiam o melhor da sociedade e seus futuros: os jovens aristocratas. E o que assistimos hoje?

Grande parte da população sente-se prisioneira, elevando os muros de suas casas, isolando-se da sociedade, mantendo guarda-costas e guaritas em frente as suas residências, temendo o ataque de indivíduos que, apesar do controle estatal, apoderaram-se das armas e das ruas. Nas ruas, ainda que a maior parte da sociedade não consiga perceber, está a ocorrer uma matança de jovens que combatem entre si, às vezes em nome de um grêmio esportivo, às vezes pelo controle de locais onde vendem drogas, matando lentamente uma outra parte da juventude. Alguns que escapam dessa matança, às vezes não conseguem escapar da ação descontrolada de alguns agentes do Estado. Os sobreviventes morrem aos poucos cada dia em trabalhos estafantes e mal pagos, com salários que não lhes permitem uma saudável recreação e, então, dedicam-se ao álcool e outras drogas. Não poucos terminam por terem seus passos encaminhados a alguma penitenciária que deveria abrigar duzentas ou trezentas pessoas, mas abrigam quase sempre três ou quatro vezes mais. E nesses espaços, também o Estado perdeu o controle. E assistimos, ouvimos e, às vezes vemos, o relato das violências e mortes que ocorrem nesses lugares. A violência está guiando a sociedade. Os valores que poderiam organizar a sociedade foram mal apreendidos e, mesmo esses, passaram a ser relativizados de maneira constante.
Para entender o tempo passado, cuidávamos da imaginação, acompanhando os romances históricos, fitas de cinema. Agora, no caso da violência descontrolada, realizada em nome de alguma divindade ou mesmo para a satisfação de algum magnata, basta sabermos olhar o que nos envolve, o ambiente.

Por não sabermos cuidar de nossos espaços sociais, não sabemos, também, cuidar dos espaços onde colocamos os que rejeitaram ou foram rejeitados pela sociedade. Quem disso duvidar, que faça uma pequena comparação entre o nosso transporte público e as penitenciárias; compare o cuidado com as calçadas e ruas com as celas carcerárias; observe nossas escolas sem bibliotecas, áreas de lazer e laboratórios e as prisões sem oficinas e atendimento reparador.

E, infelizmente, essa não é uma situação própria de nosso Estado. É uma situação semelhante encontrada, até mesmo, em alguns ditos países desenvolvidos. E não apenas nos países de nossa experiência civilizacional, mas verificamos que esse possível fracasso ocorre, também, naquelas civilizações que se tem como modelo para demonizar esse modelo que se organizou nos últimos seis séculos.

A encruzilhada

Primeira quinzena de julho deste décimo sexto ano do século XXI foi vendaval com mortes espalhadas pelo mundo. Das mais vulgares, como as que ocorrem diariamente nos morros do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo ou Terezina, até as famosas, como os assassinatos de policiais em algumas capitais de estados nos Estados Unidos e as que ocorreram nas ruas de Nice, cidade da Orla Azul do Mediterrâneo, jovem cidade francesa. A segunda quinzena fez sua entrada com a pompa de um golpe de Estado na Turquia, um autogolpe, quase, garantidor do poder do atual presidente, um golpe que inicia com duas centenas de mortes, muitas prisões de juízes, militares e professores. Vem o retorno da pena de morte no país da Ásia que se deseja europeu e, nada impede o retorno ao estado religioso anterior à Revolução dos Jovens Turcos. Assanham-se os grupos religiosos, louvadores da morte que dizem amar profetas e cultuar a paz.
Também, entre nós, caminha célere grupos que pretendem tornar o Estado cada vez mais religioso, com a aprovação de uma lei que pretende amordaçar as salas de aulas, querendo proibir que sejam tangenciados os conhecimentos básicos da ciência que o mundo, pós-queda de Constantinopla, em 1453, vem sendo acumulados nos laboratórios e nas cidades do mundo. Entre as possíveis mortes que as mortes de julho anunciam, pode vir a morte da liberdade de pensamento e de pesquisa. Ainda que seja evitada a expressão ‘conflito de civilizações’, parece ser o que se anuncia, aos poucos. Esse esforço que alguns grupos autoproclamados cristãos estão a fazer propondo a chamada “escola sem partido”, parece ser decorrente de um mal entendido forçado, de uma resposta errada ao que se pretendeu reduzir o Brasil a um partido único, a uma religião civil. Estava sendo feito de modo sorrateiro, usando aspectos formais da democracia para esvaziá-la de sentido. Confundiram o seu partido com Estado e, agora, outros querem confundir suas religiões do século XVI com o Estado. A Encruzilhada do Mundo, a Turquia, parece querer retornar, ao início do século XX, recriando aspectos do Império Turco nascido do cansaço da Europa Medieval. Os dois movimentos colocam em xeque o processo civilizador que se organizou das agonias da morte do Medievo e nascimento do mundo Moderno.
O final de Julho trará a candidatura de Donald Trump à presidência dos Esados Unidos da América. Ele propõe um enfrentamento que pode levar a guerras, além do isolamento americano. Analistas acreditam que ele perderá a eleição, mas analistas haviam dito que ele não seria escolhido para candidato dos republicanos. A Loucura pode ter criado condições para o surgimento da cultura, conforme sábio que viveu na época do conquista da transformação de Constantinopla em Istambul; e se a Loucura pode marcha, conforme historiadora contemporânea, de maneira inexorável, fazendo os governantes tomarem decisões paroquiais, cegos aos fatos, as dores do parto da nova sociedade trará mais sangue enquanto nasce. Cientes dos interesses das suas paróquias, os governantes da Europa Renascentista deixaram ao papa, então chefe guerreiro, a defesa da Europa para criar a Europa. Com a proteção de Nossa Senhora do Rosário, na Batalha de Lepanto, reza a tradição católica, criou-se parte do ambiente para a formação da moderna Europa. A religião, embora sem consciência disso, loucamente cedeu espaço para o surgimento da sociedade laica. Será que o estado laico vai permitir o retorno do estado religioso?